terça-feira, 10 de agosto de 2021

Cuidado, mineiro mora aqui

CUIDADO, MINEIRO MORA AQUI
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"De Minas o ouro de mineiro o couro.
Mineiro mateiro, mineiro toqueiro.
Mineiro é pior que o mundo inteiro.
Mineiro, nem a prazo, nem a dinheiro
Pra enganar um mineiro, só outro mineiro."
Sou mineiro e por pura mineirice e mineiridade, eu precisava lembrar das Minas aqui nesta minha antologia montada a partir da antologia do Leota. Apesar que a citação não ser muito lisonjeira. É antiga a fama de esperto “demais” atribuída aos nativos do estado de Minas Gerais. Parte, imagino, vem da época das minas de ouro (Portugal e os nossos monarcas depois, querendo ouro e o pessoal aqui não querendo isso). Há muitos anos, durante a faculdade de jornalismo, eu dei de presente a uma colega de estágio uma antologia que montei, a partir do material coletado na internet, com citações sobre o “ser mineiro”. Era uma antologia linda, cheia de sagacidade e poesia também. Preciso fazer novamente uma antologia semelhante.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Conversar, por favor

 CONVERSAR, POR FAVOR
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Se o velho pudesse e o moço soubesse, 
não havia nada que não se fizesse."
Naturalmente que há uma maneira simples de resolver o problema: conversando. Mas como é conversar? Por razões financeiras, além de sentimentais e de tradição, muitos vovós e vovôs convivem na mesma casa com os netos; o que torna potencial a união de sabedoria e força. No mercado de trabalho, não tenho muitos detalhes, sei que existem programas de contratar pessoas mais experientes. Por outro lado, não podemos ignorar os casos de asilos infernais e de famílias que desprezam a matriarca e o patriarca. Uma curiosidade: eu tive até os 25 anos os meus quatro avós vivos (o lado materno e paterno). Parece que isso é bastante raro nesta idade. 
Este adágio brasileiro tem um parente grego. É um adágio atribuído ao patriarca da medicina ocidental Hipócrates: A vida é breve, a arte é longa, a ocasião fugaz, o experimento arriscado, o juízo difícil. Está no livro, inclusive é o adágio que abre a coletânea, Adágios. Parte da obra Corpus Hippocraticum. Fiquei feliz em encontrar este adágio do Hipócrates porque conhecia apenas a versão mais curta dele A vida é breve e a arte é longa. [História da Filosofia, de Giovanni Reali e Dario Antiseri. Não encontrei a tradução, mas sim os dois revisores: Honório Dalbosco e L. Costa. Direito para a edição brasileira é de 1990, a edição que eu tenho é a sétima; de 2002. A obra italiana é de meados da década de 1980. Editora Paulus, São Paulo. A minha edição é antiga, os três tijolões brancos e de capa dura; há uma edição mais moderna e com mais textos e volumes, usando na encadernação a goma arábica.]

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Luz na sua porta

LUZ NA SUA PORTA
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"A justiça a todos guarda, mas ninguém a quer em sua casa... - Justiça na sua porta não há quem queira."
Naquele documentário “Notícias de uma guerra particular”, do Salles, as declarações que eu julgava mais inteligentes eram daquele delegado Luz. Ah, escrevo sem conferir na internet os nomes completos. Enfim enfim, depois procurem. É um documentário excelente e instrutivo. Enfim, em determinado momento o delegado fala algo próximo deste adágio popular.

Um espinho furou uma das minhas botas e eu gosto tanto das minhas botas. São aquelas botas simples, de borracha fina e cuja cor é preta e amarela. Elas são populares, e imagino que vocês já devem ter visto sendo usadas por garis e outros trabalhadores. Comecei a usá-las por causa das pulgas aqui do terreno, mas depois fiquei tão grato que as uso no lugar do chinelo e tênis. Já as usei quando fui acompanhar o meu pai ao médico em Belo Horizonte, o que deixou a minha família aborrecida. Ah, gosto das minhas botas! É prático. Como o meu corte de cabelo: quando fica grande, eu raspo e pronto. Neste mundo há tantas complicações, que acho sábio tentar simplificar as coisas. Os espinho que furou a bota também furou o meu dedo, mas não muito. Eu estava limpando o terreno para evitar incêndios. Há muitas folhas e galhos secos próximos da casa e da biblioteca comunitária.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

E você?

E VOCÊ?
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Isto sim é outra coisa!
Eu não luto sem motivo...
De hoje em diante, em sua vida,
Não fale em quem foi cativo!
Quem tem defunto ladrão
Não fala em roubo de vivo…"
O que você entendeu destes versos populares?