segunda-feira, 28 de novembro de 2022

William James 8 de 36

 

William James 8 de 36



O pessimismo é essencialmente uma doença religiosa.


William James em The Will to Believe and Other Essays in Popular Philosophy. Nova Iorque e Londres, Longmann, Green and Company, 1896.

Pelo sorriso da Kalki Koechlin e pela tiara nos cabelos da Kristy Marlana Wallace!, como eu amei isso! Como eu amei amei amei! Devia detalhar aqui os paralelos entre minha infância católica e meu amor por Friedrich Nietzsche na adolescência. Minha avó materna e minha mãe, aquele círculo vicioso de influência. Mesmo porque estamos escrevendo aqui sobre psicologia… (risos). A mania brasileira de evitar contar sobre vitórias para não despertar inveja, e dá-lhe dá-lhe notícias ruins durante as conversas com estranhos e com conhecidos. Mas vamos evitar generalizar. Este ensinamento de William James é bem bonito: o mundo não é tão horrível assim. E gratidão é virtude.


Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).

domingo, 27 de novembro de 2022

Irene Cara - "What A Feeling" (1983) - MDA Telethon

William James 7 de 36

 

William James 7 de 36



Você está muito esperançoso.

Não é esperança, é falta de opção.

Aí o dentista ficou calado. Pela resposta minha e pela minha idade. Eumal tinha começado minha adolescência. Foi a décadas atrás, no tempo do colégio.

Mas afinal, qual é mesmo a alternativa? William James vai repetir em seus textos e livros que a evolução pessoal é possível e que essa capacidade de mudar atitudes e comportamentos é inerente. As asas para isso são as nossas experiências passadas, sejam elas de caráter mais práticos (o que realmente aconteceu) ou mais abstratas (planos, desejos, sonhos que não chegaram a acontecer mesmo). Nós temos mais do que o suficiente, pelo menos não é correto dizer que “começamos do zero” depois que a gente decide revolucionar a própria vida. Este otimismo de William é bem estimulante.



31 de outubro de 2022. Mas já na hora do almoço mesmo os órgãos de imprensa que não gostam do Governo Bolsonaro, como UOL e Globo, mudaram a postura e deram aos bloqueios nas estradas mais espaço no noticiário. Ignorar não estava fazendo aquelas pessoas voltarem para casa. Eram muitos bloqueios e chamou a atenção a postura ambígua que desde o início as forças de segurança assumiram ao tentara resolver a situação. Se fosse pessoas pobres e militantes do Movimento dos Sem Terra que estivessem protestando e fechando as estradas a polícia a tanto tempo, ah... Seria preciso semanas para que a justiça fosse atrás dos líderes do movimento e do financiamento e mesmo hoje, 26 de novembro de 2022, a situação toda ainda não está clara. Muitas pessoas protestando contra o resultado das urnas no segundo turno para presidente do Brasil.

Ainda no domingo, dia 30 de outubro de 2022, me chamou a atenção na GloboNews o comentarista Gerson Camarotti falando que vários líderes mundiais já tinham reconhecido a vitória de Lula na eleição e que, portando, tudo estava consolidado e nada havia o que questionar. Isso foi o quê? As 21 horas da noite daquele domingo? Olha a pressa. A própria equipe de Lula imediatamente preparou os trabalhos para começarem a transição. Tudo isso ainda na primeira semana. Havia no ar uma pressa e uma urgência que cheirava a perigo de golpe. Vai ser preciso tempo e historiadoras e historiadores para poderem esclarecerem mais a nós o quão perto tivemos de… Se bem que ainda não acabou. Ainda não acabou.

Primeiro de novembro de 2022. Naquele primeiro de novembro a coisa estava feia, o ineditismo da situação e o aumento de paralisações dos bolsonaristas nas estradas. Na Rádio Itatiaia, que apoia o Governo Bolsonaro, a comentarista de economia falou que era “a metade” da população que estava protestando e que “quem era ela para poder julgar” o que os manifestantes estavam fazendo. Imagino o que a economista diria se fosse a turma do outro candidato a presidência que, perdido as eleições, manifestasse dessa maneira contra o que julgam ser uma derrota injusta. Como é o Governo Bolsonaro que ela defende a comentarista de economia da Itatiaia era toda compreensão e perdão. Ah, e ela pela milésima vez falou do magistrado Ives que ela gosta tanto. Na parte da “conversa de redação”, após o Jornal da Itatiaia ela disse quase a mesma coisa. Os outros comentaristas criticaram negativamente a postura de Bolsonaro diante dessa crise.

Pausa.

Tem um exemplo de guerra de propaganda em defesa de Bolsonaro que aconteceu na Rádio Itatiaia e que esqueci de comentar aqui. Foi numa segunda-feira, 24 de outubro de 2022. O episódio do Maluco Tristeza Jefferson foi no domingo, no dia anterior. Um dos principais aliados de Bolsonaro. Episódio chocante, violento, como poucas vezes aconteceu no Brasil nos últimos anos. Como a Rádio Itatiaia, apoiadora do Bolsonaro, iria lidar com o episódio? A principal repórter da Itatiaia em Brasília Edilene leu um texto brilhante: o uso do “presidente” e “Bolsonaro” em doses desiguais e numa sequência especial aliviava muito muito o constrangimento político para Bolsonaro causado por episódio. Se o ouvinte não prestasse muito à atenção ao que ouvia. O texto foi tão tão tão bem escrito que em sua participação na “Conversa de Redação”, o que não é muito comum, diga-se de passagem, a Edilene praticamente releu o seu texto na íntegra. E é quase um minuto de texto. Mas eu também sou assim: quando gosto de um texto meu, releio e releio sempre. Ah, Itatiaia… Itatiaia… E ninguém mais falou do episódio.



Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

William James 6 de 36

 

William James 6 de 36



Um olhar positivo quando diante do hábito, o maior e mais valioso leme da sociedade. E por quê não? Não estamos defendendo uma vida automática, escrava, zumbi: casa, escola, casa, trabalho, casa, trabalho, um pouquinho para nós, casa, trabalho, casa, trabalho, casa, trabalho, cemitério… Não, não.

A questão aqui é que se já tivermos o nosso caráter formado, tipo aos trinta anos por exemplo, podemos deixar no “automático” grande parte de nosso dia a dia e assim nossa mente poderá libertar os seus mais poderosos poderes. O hábito nos ajudando a sermos livres.

É curioso encarar isso como um elogio poderoso à disciplina. Aí peço ajuda à poesia. E a poesia está sempre certa. Me ajude, Legião Urbana.

Meu amor, disciplina é liberdade

Compaixão é fortaleza

Ter bondade é ter coragem

Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa.

(Canção Há Tempos, composta por Eduardo Dutra Villa-Lobos, Marcelo Augusto Bonfá e Renato Manfredini Júnior. Achei melhor citar toda a última parte da canção, pois a lição de aceitar o viver em sua integridade e ao mesmo tempo superar os vícios é uma lição importante.)



Agora a política. A gente lê sobre grandes eventos históricos e fica se perguntando como seria presenciar um evento histórico. Em Walden, de Thoreau, a gente aprende que cada segundo é histórico que cada segundo você pode escolher usar para mudar a sua vida para melhor e etc.. Bom, tudo bem, mas há momentos históricos que são, digamos, mais “portentosos”. Uma eleição presidencial extremamente polarizada em um país extremamente polarizado, violento, injusto e sofrido; por exemplo.

Dia 30 de outubro de 2022. Pela Rádio Itatiaia, bem de manhã mais ou menos as 7 e meia da manhã, descubro que a gratuidade do transporte (algo determinado que o Tribunal Superior Eleitoral queria para evitar a abstenção no dia da eleição para presidente da república) em Belo Horizonte tinha detalhes: os trens urbanos estavam cobrando passagem e demoraram muito a deixar gratuito a passagem (foi só depois das 11 horas da manhã). Por quê? Com os ônibus não houve problemas. O órgão que cuida dos trens urbanos disse que não recebeu oficialmente o comando para passagens gratuitas. Companhia Brasileira de Trens Urbanos: https://www.cbtu.gov.br/index.php/pt/

A votação foi muito rápida. Nem teve fila. Eu liguei o computador e liguei a internet para acompanhar o trem da votação por volta das 10 e meia da manhã. Daquele momento até as 18 horas, a coisa estranha polêmica era a Polícia Rodoviária Federal nas estradas revistando alguns veículos no nordeste. A abstenção era um fator chave para a construção do resultado da votação e a esquerda no YouTube ficou em pânico e falava em golpe. Mais tarde, entre 18 e 19 horas, mais ou menos, na Rede Bandeirantes de Televisão, que simpatiza com o Governo Bolsonaro, num programa que acompanhava os resultados das urnas; um comentarista político afirmou que essa polêmica toda com a Polícia Rodoviária Federal era nada e que o pessoal assustado estava era procurando “pelo em ovo”. Expressão feia de se ouvir e imaginar. Ok, era para todo mundo ficar calmo. E assim foi a postura até de madrugada. De madrugada vejo pela internet que tem muitos pontos de estradas em que caminhoneiros estavam bloqueando como forma de protesto contra a derrota do Governo Bolsonaro.

Na manhã e tarde (31 de outubro de 2022), agora é a vez da UOL não dar destaque ao ocorrido nas estradas com os caminhoneiros, dando a entender que são pequenas manifestações de uma minoria.

Eu, assim como o “povão”, saberíamos que alguma coisa fundamental fora do normal estaria acontecendo? Um espectro me ronda aqui e ronda o Brasil: o espectro da proclamação da república: o povão iria perceber que o trem iria acontecer? Alguém ia convidar a gente para decidir?




Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).