quarta-feira, 28 de julho de 2021

Contratos Difíceis

CONTRATOS DIFÍCEIS
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Mulher que em jura de homem se fia, chora de noite e de dia."
A popular guerra entre sexos estava demorando a aparecer forte aqui nesta antologia de ditados populares. Saber falar, saber ouvir, o contrato que se vê e o contrato implícito, o contrato que muda com o tempo em ritmo diferente para os envolvidos na relação… É difícil, é difícil.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Leota Apaixonante

LEOTA APAIXONANTE
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Mãos à obra! Prossigamos na recolta dos ditérios populares, mostremos que estimamos o que é nosso. Agora mesmo, no instante em que tracejo estas linhas apressadas, lembro-me de que, ainda ontem, o meu amigo Tibúrcio Targino me comunicava este dizer de nossa gente:
Cavalo de cara branca, homem por nome Messia, mulher dos quartos de jia e pote que não esfria, coitadinho deles quatro, credo em cruz, Ave Maria!
Apareça, apareça quem tem ditados para ensinar ao
LEOTA"
É o que Leonardo Mota, este herói da cultura popular brasileira, escreveu no final de uma carta. Pelo apelo final, suponho que esta carta tenha sido publicada em algum jornal ou revista. Bem no início do século XX. Não há muitos detalhes sobre a carta.

Que trem maravilhoso, que trem maravilhoso!

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Não amofine-se

NÃO AMOFINE-SE
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Menina da saia verde,
De verde cor da esperança,
Teus desdéns não me amofinam:
Quem espera sempre alcança."
Não é bem um adágio e sim versinhos populares. Mas acho que podem funcionar como adágio porque repetidos podem consolar e encorajar corações enamorados. Selecionei-o porque achei-o bonitinho e achei “histórico” e “científico” este registro antigo da cor verde como metáfora para esperança. A gente não fala que verde é a cor da esperança? Eu acho que ainda falamos isso. E o último verso também é bastante repetido em todo o país desde tempos muito antigos.

domingo, 25 de julho de 2021

O Enigma da Rapariga

O ENIGMA DA RAPARIGA
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Malcriado como rapariga de soldado em portão de feira."
Posso ser sincero? Entendi nada deste adágio. Mas vamos tentar entender juntos. Estamos visitando uma feira do interior. Cidade pequena. Carrossel, algodão-doce, aquele açougueiro que acha que canta bem maltratando o ouvido de todos, o padre no meio do povão sofrendo com o calor por causa de sua roupa pesada, a barraquinha da Dona Teté vendendo pote de mel e o senhor Matheus vendendo galinhas, etc. Etc. Ok, mas porquê a namorada do soldado iria se comportar mal ali? Como a culpa é sempre do homem podemos imaginar que ele chegou ao encontro atrasado pela milésima vez. Ou foi visto pela namorada beijando outra mulher. Ou esqueceu o aniversário dela. Etc., sei lá. A namorada ficou brava. Mas… É universal na linguagem humana, em todos os tempos e povos, o uso da metáfora para traduzir em apalavras aquilo que não pode ser traduzido em palavras; mas confesso que "Malcriado como rapariga de soldado em portão de feira" é um enigma para mim. Espero que as leitoras e leitores não estejam rindo muito de mim.