quinta-feira, 29 de julho de 2021

O Rei ouvirá

O REI OUVIRÁ
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


" - Gritar pelo rei da França – pedir socorro (ouvido na Bahia)."
Mas isso é surpreendente! Como, na Bahia, em tempos imemoriais; a expressão “gritar pelo rei da França!” tornou-se sinônimo de clamar por socorro? Isso foi antes ou depois de 1789? A França tentou invadir o Brasil ainda no século XVI e no seguinte, e no comecinho do século XVII tivemos uma última experiência especialmente dramática. É provável que estes acontecimentos tenham influenciado sim a origem desta expressão popular. E como os franceses, e seus aliados daqui, foram os derrotados; esta expressão acaba ganhando um peso bem sinistro.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Contratos Difíceis

CONTRATOS DIFÍCEIS
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Mulher que em jura de homem se fia, chora de noite e de dia."
A popular guerra entre sexos estava demorando a aparecer forte aqui nesta antologia de ditados populares. Saber falar, saber ouvir, o contrato que se vê e o contrato implícito, o contrato que muda com o tempo em ritmo diferente para os envolvidos na relação… É difícil, é difícil.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Leota Apaixonante

LEOTA APAIXONANTE
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Mãos à obra! Prossigamos na recolta dos ditérios populares, mostremos que estimamos o que é nosso. Agora mesmo, no instante em que tracejo estas linhas apressadas, lembro-me de que, ainda ontem, o meu amigo Tibúrcio Targino me comunicava este dizer de nossa gente:
Cavalo de cara branca, homem por nome Messia, mulher dos quartos de jia e pote que não esfria, coitadinho deles quatro, credo em cruz, Ave Maria!
Apareça, apareça quem tem ditados para ensinar ao
LEOTA"
É o que Leonardo Mota, este herói da cultura popular brasileira, escreveu no final de uma carta. Pelo apelo final, suponho que esta carta tenha sido publicada em algum jornal ou revista. Bem no início do século XX. Não há muitos detalhes sobre a carta.

Que trem maravilhoso, que trem maravilhoso!

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Não amofine-se

NÃO AMOFINE-SE
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Menina da saia verde,
De verde cor da esperança,
Teus desdéns não me amofinam:
Quem espera sempre alcança."
Não é bem um adágio e sim versinhos populares. Mas acho que podem funcionar como adágio porque repetidos podem consolar e encorajar corações enamorados. Selecionei-o porque achei-o bonitinho e achei “histórico” e “científico” este registro antigo da cor verde como metáfora para esperança. A gente não fala que verde é a cor da esperança? Eu acho que ainda falamos isso. E o último verso também é bastante repetido em todo o país desde tempos muito antigos.