quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Algo sábio

ALGO SÁBIO
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


Cada qual aprende à sua custa... O tolo aprende à sua custa, e o sabido à custa do tolo.
Com o meu amado Will Durant podemos aprender uma versão mais diplomática e agradável desta lição. Está na introdução da sua História da Filosofia, um clássico da divulgação científica publicado em 1928 e cuja a versão para o português eu leio e releio sempre sempre. Will cita o compatriota Emerson que ensinara que o segredo do aprendiz verdadeiro é enxergar em cada humano um mestre com a qual é possível aprender sempre uma lição importante. Obrigado, Will! E espero que a leitora e o leitor aqui deste blog também aprendam alguma coisa agradável por aqui.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Ausência

AUSÊNCIA
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


“Cito, de memória, a sextilha do repentista preto:
“ "Quando as casas de negócio
Fazem sua transação,
O papel branco e lustroso
Não vale nem um tostão:
Escreve-se com tinta preta,
Fica valendo um milhão…" ” 
Leonardo Mota em um texto onde lembra que a presença do preto nos adágios é menor do que poderíamos imaginar. São versos bonitos e criativos. Já vi, pela televisão, alguns repentistas unindo viola e versos em um espetáculo bem especial. Ainda menciono aqui o desejo meu de visitar a África algum dia. Toda toda a África e não apenas atravessar sozinho o Saara e o Kalahari para encontrar-me. Uma vez que o espelho e os meus 38 anos não mostraram-se suficientes para isso.

O dia seguinte a uma derrota fundamental do Governo Bolsonaro é uma boa oportunidade para estudarmos mais um pouco por aqui a guerra de propaganda. A questão da volta do voto impresso que o Governo queria e não conseguiu. Só acompanhei pelo “Jornal da Itatiaia”, da Rádio Itatiaia; a mais popular e influente de Minas Gerais e que é próxima do Governo Bolsonaro. Três deputados que votaram a favor do Governo Bolsonaro foram entrevistados na sequência e apenas um que votou contra foi entrevistado e este era justamente do… do… Partido dos Trabalhadores. Inteligente, editores da Itatiaia. A imagem do Partido dos Trabalhadores ainda é bem negativa entre a população em geral e ainda mais entre os que acreditam no Governo Bolsonaro. Outra coisa que chamou a minha atenção é que no comentário econômico a especialista usou o termo “voto auditável” em vez de “voto impresso”, como é mais conhecido a polêmica. O termo “voto auditável” é mais poderoso e irresistível, mas tem um Calcanhar de Aquiles: sempre tivemos auditorias.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Cuidado, mineiro mora aqui

CUIDADO, MINEIRO MORA AQUI
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"De Minas o ouro de mineiro o couro.
Mineiro mateiro, mineiro toqueiro.
Mineiro é pior que o mundo inteiro.
Mineiro, nem a prazo, nem a dinheiro
Pra enganar um mineiro, só outro mineiro."
Sou mineiro e por pura mineirice e mineiridade, eu precisava lembrar das Minas aqui nesta minha antologia montada a partir da antologia do Leota. Apesar que a citação não ser muito lisonjeira. É antiga a fama de esperto “demais” atribuída aos nativos do estado de Minas Gerais. Parte, imagino, vem da época das minas de ouro (Portugal e os nossos monarcas depois, querendo ouro e o pessoal aqui não querendo isso). Há muitos anos, durante a faculdade de jornalismo, eu dei de presente a uma colega de estágio uma antologia que montei, a partir do material coletado na internet, com citações sobre o “ser mineiro”. Era uma antologia linda, cheia de sagacidade e poesia também. Preciso fazer novamente uma antologia semelhante.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Conversar, por favor

 CONVERSAR, POR FAVOR
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Se o velho pudesse e o moço soubesse, 
não havia nada que não se fizesse."
Naturalmente que há uma maneira simples de resolver o problema: conversando. Mas como é conversar? Por razões financeiras, além de sentimentais e de tradição, muitos vovós e vovôs convivem na mesma casa com os netos; o que torna potencial a união de sabedoria e força. No mercado de trabalho, não tenho muitos detalhes, sei que existem programas de contratar pessoas mais experientes. Por outro lado, não podemos ignorar os casos de asilos infernais e de famílias que desprezam a matriarca e o patriarca. Uma curiosidade: eu tive até os 25 anos os meus quatro avós vivos (o lado materno e paterno). Parece que isso é bastante raro nesta idade. 
Este adágio brasileiro tem um parente grego. É um adágio atribuído ao patriarca da medicina ocidental Hipócrates: A vida é breve, a arte é longa, a ocasião fugaz, o experimento arriscado, o juízo difícil. Está no livro, inclusive é o adágio que abre a coletânea, Adágios. Parte da obra Corpus Hippocraticum. Fiquei feliz em encontrar este adágio do Hipócrates porque conhecia apenas a versão mais curta dele A vida é breve e a arte é longa. [História da Filosofia, de Giovanni Reali e Dario Antiseri. Não encontrei a tradução, mas sim os dois revisores: Honório Dalbosco e L. Costa. Direito para a edição brasileira é de 1990, a edição que eu tenho é a sétima; de 2002. A obra italiana é de meados da década de 1980. Editora Paulus, São Paulo. A minha edição é antiga, os três tijolões brancos e de capa dura; há uma edição mais moderna e com mais textos e volumes, usando na encadernação a goma arábica.]