segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Olhos tristes

 

OLHOS TRISTES

MICHAEL KELLEY e sua fotografia (EC6653-001)

stone® da getty images™

gettyimages.com/stone


É uma coisa que eu já vi e não vi. Vi porque vi por meio de jornais, revistas, livros, televisão, computador e cinema. Não vi porque nunca estive lá. Nunca estive vendo um rio no meio de um corredor apertado de montanhas.



Pausa.

Nunca estive vendo...”

Nunca estive vendo...”

(Que construção gramatical estranha. Parece estranha aos olhos. Pronunciando-a ela soa também estranha. E é preciso lembrar do conselho do Gustave Flaubert (via Will Durant) sobre o melhor teste para uma frase suspeita de feiura: a leitura em voz alta. “Uma frase mal feita não resiste a este teste”, diz o autor de Madame Bovary.



Então é isso. Um rio em meio a um corredor estreito de montanhas. Estreito, mas nem tãããão estreito. Na verdade entre o rio e a montanha há bastante espaço e terra. E muita vegetação, mas esta não chega a ser bem uma floresta. Grama, algumas árvores juntinhas como um prato cheio de brócolis verdes mas não muito extensa esta área. O céu e a atmosfera da foto não são alegres. Ao contrário, elas sugerem melancolia. Não há cores vivas e eu gosto de cores vivas, saturadas até. Mas aqui não, parece na foto que falta um minuto para começar a noite do apocalipse zumbi. Tem até algumas nuvens de chuva. Até bordas embaçadas, desfocadas na fotografia. É bonito um rio em meio a um corredor de montanhas, mas os olhos do Michael estavam tristes.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O 8 seguinte e o Ministro Exterior

 

O 8 Seguinte e o Ministro Exterior

Saudade de acompanhar a guerra de propaganda. E olhe que motivos não faltaram.

8 de setembro de 2021

O Brasil chegou vivo e livre no dia seguinte ao Sete de Setembro. Na Rádio Itatiaia, defensora do Governo Bolsonaro, foram ouvidos dois políticos. Rogério Corrêa do Partido dos Trabalhadores, oposição ao governo federal, e o Bruno E., apoiador do Governo Bolsonaro. Ao Rogério Corrêa foi feita uma pergunta, ao Bruno E. o jornalismo da Itatiaia quis fazer duas perguntas. Parcialidade. No fim de semana seguinte os dois reapareceram e houve equilíbrio desta vez.



A rádio Itatiaia gosta muito desse Bruno E. Ele era desconhecido, mas começou a aparecer na Rádio Itatiaia algumas semanas antes de começar a última eleição para prefeito de Belo Horizonte. A maneira da Itatiaia ajudá-lo. Uma ou duas vezes por semana. Não é possível que só eu tenha reparado nisso. Mas não adiantou e a culpa foi do próprio Bruno E. Ele aparecia sempre gritando e reclamando do partido dele. Ele estaria sendo injustiçado. O motivo não me recordo. O problema é que sempre aparecer gritando soa agressivo e reclamar do partido depois de muito tempo pode parecer ingratidão, incoerência. Depois de algum tempo até um ouvinte mais distraído e alienado se perguntaria: “porque então não sai do partido?”. A eleição veio e o Bruno E. perdeu a eleição para a prefeitura de Belo Horizonte. Uma coisa curiosa é que na entrevista à rádio o Bruno E. reclamou das pesquisas de opinião e do chamado “voto útil” (o costume que alguns eleitores brasileiros têm de votar em quem está na frente das pesquisas de intenção de voto, para não “perder” o voto). Bom, neste detalhe o Bruno E. pode ficar feliz porque os congressistas em Brasília andaram mudando as leis eleitorais e as pesquisas de opinião durante as eleições ficarão bem mais tímidas.


Mais um puxão de orelha. No apoio ao Governo Bolsonaro a Rádio Itatiaia tem como uma das principais bastiões uma economista que até é professora em um centro educacional. Ela estava de férias e no primeiro comentário logo após a sua volta ela teve que comentar o escândalo das contas estranhas do Ministro da Economia no exterior. Ela é inteligente e nos comentários foi oficial: já olharam isso antes e foi tudo “arquivado”. Não é bem assim. Está marcado, inclusive, que o Ministro da Economia vá numa comissão falar a respeito.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

18 de outubro 2021

 Registrar que testemunhei pela televisão os depoimentos da "CPI da Covid". Em geral o brasileiro é tratado como sendo pouco valioso pelos políticos e pela elite brasileira. A epidemia da Covid-19 mostrou isso bem. Enfrentar de frente como a China e a Itália ou não? O povo brasileiro tem muito valor.

domingo, 17 de outubro de 2021

Pouquinho do Alfredo

 

POUQUINHO DO ALFREDO


Li o capítulo dedicado a Alfred Adler em “Teorias da Personalidade”, de James Fadiman e Robert Frager. Preciso esclarecer que comecei aqui com William James e Alfred Adler por causa da recomendação do meu amado autor Will Durant. Mas gostei tanto do estilo do James e do Robert que vou ler o livro todo em algum momento.


Trabalho, Amor e… e… Qual era o terceiro elemento? Ah, amizade! É preciso ter amigos. Uma inteligência que seja social. Importância dos primeiros anos da infância e das primeiras coisas que você costuma lembrar.

Uma coisa curiosa aqui é que Alfred Adler era meio subestimado por não ser um bom escritor. Investia mais na oratória (gostava de palestrar), mas os livros dele usavam uma linguagem simples “demais” aí os outros achavam ele meio simplório. (risos) É o poder das modas intelectuais. Mas depois Adler recuperou a fama e hoje em dia imagino que ele tenha ficado entre os maiores da área da psicologia e psicanálise.