quarta-feira, 30 de novembro de 2022

William James 10 de 36

 

William James 10 de 36


Bom, não somos uma ilha. Querendo ou não a multidão nos cerca. Ah, a revolução que foi o surgimento das grandes cidades na virada do século XIX e XX!…

Mas onde a gente estava?

Querendo fazer parte da massa anônima de gente e ao mesmo tempo querendo ser considerado único. Evitar a solidão, que é desumana demais; e estar no lugar mais alto do pódio olímpico. Que é um lugar evidentemente solitário.

Este instinto gregário e este instinto egoísta convivendo ao mesmo tempo em nós eu já li em outros lugares. No início de A História do Pensamento Econômico (The Worldly Philosophers; seu título original), o autor Robert L. Heilbroner menciona que desde que descemos das árvores, milhares de anos atrás e em algum lugar da África, o drama da sobrevivência nos ambientes mais diversos é acompanhado por uma luta interna entre egoísmo e necessidade de cooperação dada a nossa fraqueza física.

Qualquer coisa para não ficar sozinhos, mas o mergulho na massa anônima em sua imensidão não vai nos deixar satisfeitos por muito tempo. Vai ter uma hora que gente vai querer brilhar com mais intensidade do que mil e um sóis. Uma dança complicada.

Um detalhe pequeno que não é um detalhe pequeno: que tal uma definição de o que é o instinto? Falamos tanto do trem e não sabemos explicar direito. A gente faz sem parecer ter aprendido em alguma escola e repete e repete sem esperar prêmio ou castigo. Instinto.



Agora um pouco de política. Minha mãe gosta do Governo Bolsonaro e eu não tenho nem coragem de dizer metade das porcarias bolsonaristas que ela recebe diariamente pelo WhatsZapp. Me chama a atenção que, inteligente que é, ela não percebeu que pelas mensagens recebidas por ela, desde o início de novembro, Bolsonaro já teria conquistado a reeleição umas três vezes independente de qualquer coisa. Três vezes! Nem o fato dela assistir ao jornal da Rede Record de Televisão e da Rede Bandeirantes de Televisão, ambas apoiadoras do Governo Bolsonaro, onde não há a mínima menção à mudanças radicais assim de poder faz minha mãe desconfiar da seriedade e racionalidade dessas mensagens porcarias que chegam do WhatsZapp. É um fenômeno psicológico interessante. Mas antes de sorrir eu devo olhar para o meu próprio umbigo. Eu também sou bem bobo as vezes.



Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).

terça-feira, 29 de novembro de 2022

William James 9 de 36

 

William James 9 de 36



É uma discussão antiga, acompanhando a rede mundial de computadores desde sua definitiva popularização em meados de 1999 e 2002. Um pouco antes ou depois. Agora nesta segunda década do século XXI a discussão continuou e seus espinhos penetraram mais ainda nossa carne: o paradoxo da internet: mentiras são mais populares que o conhecimento e a incompreensão agressiva é mais comum do que o diálogo e a tolerância. Tudo isso já existia antes da internet claro, mas por alguns instantes a internet, - tão revolucionária quando apareceu! Lembram? -, parecia que ia combater esses vícios e não ser adubo e fertilizante para eles.

Pois William James no final do século XIX e começo do século XX abordou essa “cegueira” de nossos ouvidos na hora de escutar os outros e a nossa ignorância magnífica que impede a gente de compreender a pessoa em nossa frente. Um termo que podemos usar é “cegueira pessoal”. Para começar é bom que o espectador ansioso em julgar o espetáculo saiba de antemão que quem está no palco sabe mais, sabe muito mais. Não compreendemos os outros porque antes não compreendemos a nós mesmos. Até aí é meio clichê, mas William vai nos apontar uma causa não muito óbvia assim: o nosso afastamento do canto das cigarras e do nascer do sol. Nos afastamos da natureza, ficamos com um gosto pessoal inclinado a preferir o mais raro e o mais sofisticado. E com isso o diamante do momento presente e do comum normal a todos, escorre por entre nossos dedos. E fica muito mais difícil entender os outros e conviver em sociedade. Difícil também quando pedem que a gente explique nossos sentimentos. E, por outro lado, facilita que maus hábitos acabem sendo aceitos mais facilmente por nós. Erramos mais facilmente. Precisamos cheirar uma flor, olhar uma estrela e começar o dia querendo conhecer quem nos olha no espelho.

Não sei se expliquei bem o parágrafo do livro de Fadiman e Frager, não sei bem se expliquei bem este ponto em que William James aborda o moderno artificialismo estéril que nos afasta socialmente. Não sei. Mas que fique registrado que o ensaio em que William nos ensina essa lição era o ensaio favorito dele e pode ser lido em Talks to Teachers on Psychology and to Students on Some of Life´s Ideals (1899, Henry Holt and Company. Reimpressão inalterada em 1962 pela New York: Dover).




Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

William James 8 de 36

 

William James 8 de 36



O pessimismo é essencialmente uma doença religiosa.


William James em The Will to Believe and Other Essays in Popular Philosophy. Nova Iorque e Londres, Longmann, Green and Company, 1896.

Pelo sorriso da Kalki Koechlin e pela tiara nos cabelos da Kristy Marlana Wallace!, como eu amei isso! Como eu amei amei amei! Devia detalhar aqui os paralelos entre minha infância católica e meu amor por Friedrich Nietzsche na adolescência. Minha avó materna e minha mãe, aquele círculo vicioso de influência. Mesmo porque estamos escrevendo aqui sobre psicologia… (risos). A mania brasileira de evitar contar sobre vitórias para não despertar inveja, e dá-lhe dá-lhe notícias ruins durante as conversas com estranhos e com conhecidos. Mas vamos evitar generalizar. Este ensinamento de William James é bem bonito: o mundo não é tão horrível assim. E gratidão é virtude.


Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).