sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

O Caminho do Eduardo

 

O Caminho do Eduardo


No final de sua História do Brasil (1997, Folha da Manhã e Zero Hora/RBS Jornal. Segunda edição.), Eduardo Bueno dá muitas indicações valiosas de leitura. É um verdadeiro tesouro este final de livro, esta bibliografia crítica. Segue uma seleção minha. Ah, que lista de desejos…!


Comecemos pelo começo, pela visão geral: os nossos dois grandes historiadores: Capistrano de Abreu e Sérgio Buarque de Holanda. Interessante em Capistrano é que não podemos ficar nos seus três livros “prontos” (Descobrimento do Brasil, Caminhos Antigos e Povoação do Brasil e Capítulos de História Colonial), mas também temos que procurar volumes que reúnam parte de suas cartas. É, cartas. Não sei onde li, mas uma vez saí por aí pela internet à procura de Capistrano de Abreu e descobri que ele escrevia cartas demais e isso até prejudicou ele que era desorganizado e assim ficou sem conseguir escrever a sua História Geral do Brasil. Ele sofria de “febre de cartas”, coisa comum na belle époque. Acho que hoje, 2022, Capistrano de Abreu ficaria viciado em redes sociais de internet sempre querendo chamar a atenção pelos seus comentários. Já o Sérgio Buarque de Holanda o caminho é reto: Raízes do Brasil, Caminhos e Fronteiras, Monções e Visão do Paraíso.

Agora dois nomes interessantes: José Honório Rodrigues e Francisco Iglesias (não é meu parente). Estes dois merecem uma olhada também.


Agora o trem fica mais pessoal. Do enigma brasileiro, os três temas para mim mais especiais: índios, negros e a república.

História dos Índios do Brasil – Organizado pela Manuela C. Da Cunha.

O Escravagismo Colonial – Jacob Gorender.

A Escravidão no BrasilPerdigão Malheiro.

Fluxo e Refluxo do Tráfico de Escravos entre o Golfo do Benin e a BahiaPierre Verger.

A Abolição do Tráfico de Escravos no BrasilLeslie Bethell.

Os Últimos Anos da Escravatura no BrasilRobert Conrad.

Abolição da EscravidãoSuely R. Reis de Queiroz.

O Tigre da AboliçãoOsvaldo Orico.

O Precursor do Abolicionismo no BrasilSud Menucci.

A Escravidão ReabilitadaJacob Gorender.

Os Republicanos Paulistas e a AboliçãoJosé Maria dos Santos.

Dialética da ColonizaçãoAlfredo Bosi.

Os Militares e a RepúblicaCelso Castro.

Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que Não FoiJosé Murilo de Carvalho.

O Exército na PolíticaJohn Schultz.

Relações entre Civis e Militares no Brasil (1889-1898)June Hahner.

Baile da Ilha FiscalJosué Montello.


Eu sonho e vocês compram esses livros todos para mim!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Lula e Alckmin em 2006

 

Lula e Alckmin em 2006


São dois artigos do tempo em que eles eram adversários políticos disputando a presidência do Brasil. Lula querendo ser reeleito e Geraldo Alckmin querendo ser presidente pela primeira vez. Bom, de certa forma Alckmin será presidente porque o Governo Lula só terá sucesso se não for Governo Lula e sim Governo da Frente Ampla. Com Alckmin, Tebet, Lira e outros (Superior Tribunal Federal também?) trabalhando e aparecendo muito mais do que aconteceria em um governo “normal”. Ou alguém acha que a rejeição Lula-PT diminuiu e diminuirá? Teremos um parlamentarismo como em países “normais”? Ou continuaremos com o atual parlamentarismo à brasileira, com suas crises consoladas com o vil metal e oxigênio para inflar egos?


Os dois artigos assinados por Lula e Alckmin foram publicados lado a lado e o desenho do artista plástico Marco Gianotti também ajuda neste clima de respeito mútuo. A propósito, eu apostaria que Marco inspirou-se ou mesmo desenhou em cima de alguma fotografia em que Alckmin e Lula cumprimenta-se. A propósito: Folha de S. Paulo, 29 de outubro de 2006.


Selecionei um trecho de cada artigo. Assim assim, como documento histórico o trem todo não tem graaaande valor. Mas podemos espremer essa pequena laranja aqui na forma de alguns comentários que tentarão ser inteligentes. Vamos lá.



O Brasil chega ao final de 2006 como o país menos desigual dos últimos 25 anos. 7 milhões de cidadãos venceram a linha da pobreza. O poder de compra do salário-mínimo aumentou 26% em termos reais, desde 2003.

(“A esperança renovada”, artigo de Luiz Inácio Lula da Silva.)

Então tudo bem, mas são números e é a economia. Então hoje, 2022, isso significa tanto quanto no dia que os leitores leram o artigo. Menos do que deveria. Ah, tudo bem; exagerei um pouco. Mas a roda da economia é impiedosa.

Crescimento econômico exige planejamento, ação, trabalho sério. Não vou cair nas discussões estéreis. Crescimento ou estabilidade é um falso dilema. O Brasil precisa dos dois. Crescimento sem estabilidade é fraude. Não existe. Estabilidade sem crescimento é perversão. Não deveria existir.

Os maiores entraves ao nosso desenvolvimento são conhecidos: carga tributária demais, investimento de menos e um Estado ineficiente no cumprimento de suas funções básicas.

(“Muitos Brasis e um só desejo”, artigo de Geraldo Alckmin.)

Este trecho é mais gostoso de comentar, por ser mais amplo e filosófico. Divagar e divagar sempre. Vago, mas também por causa da nossa covardia que não valoriza as palavras quando estas saem do coração e vão para a boca pelo caminho do Amor. Mas onde eu estava? Esse trem de crescimento e estabilidade ficou muito bom, mas precisa de um tempero picante. E vermelho. Precisamos de você, Maria da Conceição Tavares.

Uma economia que diz que precisa primeiro estabilizar, depois crescer e depois distribuir; é uma falácia. E tem sido uma falácia. Nem estabiliza, cresce aos solavancos e não distribui. E esta é a história da economia brasileira desde o pós-guerra (1945). Ou não é?

(Trecho da entrevista da professora, economista, escritora e política Maria da Conceição Tavares ao programa Roda Viva; da TV Cultura. Inteligente, raciocínio rápido, oratória, idealista; trechos desta sua entrevista tornaram-se um fenômeno cultural no site YouTube.)

E? E nem sei o que comentar. Crescer com estabilidade, sem esquecer de distribuir durante o processo. Quando criança eu assistia aos telejornais ao lado de meus pais e achava uma coisa muito curiosa: o governo tendo… problemas. “Uai”, eu infantilmente pensava, “não basta o presidente e a equipe dele querer que uma coisa aconteça para ela acontecer?”. Mas é mesmo curioso isso na economia: os economistas, todos inteligentes e de boa-fé, se reúnem durante horas semanas meses e… o plano dá errado do mesmo jeito.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Fagner - A Sombra De Um Vulcao (Pseudo Video)


Eu cantava essa música quando eu era criança, sem entender a letra. Para o deleite fino dos adultos. Ora ora, não sou um Pedro Nava mas também tenho alguma memorialística. Dá vontade de acreditar que vivi mais de 39 anos mesmo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Chapolin no Sindicato

 

Chapolin no sindicato


Se precisasse, o fulano publicava até um cheque se estivesse caído no chão!

Não lembro do nome de quem disse e nem a quem referia-se e também não sei se era “cheque”. Podia ser rótulo de alguma maionese, de sabonete líquido ou mesmo ser uma bula de remédio. A memória agora não consegue ver muito além da neblina temporal. Lembro apenas que era um jornalista veterano falando sobre um irmão de profissão que, mais talentoso que a média, não se intimidava com o dead line (“hora mortal”, em tradução livre; expressão para indicar que na redação do jornal o relógio já está engatilhado) e conseguia editar o jornal deixando todos os espaços das páginas preenchidas.

Acho que eu estava na Casa do Jornalista, onde fica o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. Escrevendo alguma reportagem e a declaração surgiu no meio de alguma entrevista. Eu fui lá algumas vezes. As minhas visitas eram anônimas, mas eu acho que me sentia chique lá dentro.

Eu estava usando uma camiseta do Chapolin Colorado quando paguei minha primeira e única taxa para o sindicato. Lembro da camiseta que motivou o sorriso da secretária. Nem lembro o que eu paguei. Já deve ter perdido a validade o trem que nem sei o que é. Nem lembro porque esta segunda lembrança do sindicato dos jornalistas invadiu o texto da primeira lembrança.


Ah, é que eu ainda estou neste drama de tentar escrever textos reservas para tentar manter este blog diário. Daí que eu teria que ser tão alquimista quanto este velho jornalista.