terça-feira, 9 de maio de 2023

O Segredo da Sabedoria Suprema Divina Última

 

O Segredo da Sabedoria Suprema Divina Última

 

Mas isso é o máximo da sabedoria, o fim de mil e duas noites de estudo inspirado: a metamorfose esperada não é a do rei-filósofo do Platão, inteligente e autoritário; não é o humano divinamente mediano de Aristóteles; e nem o humano cada vez mais racional e livre pela sua evolução constantemente assombrosa de Kant, não não; o objetivo final da sabedoria suprema é tornarmos todos piratas do Caribe Jack Sparrow!

Não um mapa para achar um baú de tesouros perdidos pela família real sueca ou portuguesa. O que procuramos é um mapa para um baú cheio de mapas do tesouro. O ouro verdadeiro são os mapas.

 

Aprendendo com os poemas do Paulo Leminski.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Pulando, depois de 12 mil anos calado

 Pulando, depois de 12 mil anos calado

 

 

 Aos cantadores e violeiros analfabetos e geniais,

às velhas amas contadeiras de estórias maravilhosas

fontes perpétuas da literatura oral do Brasil, ofereço,

dedico e consagro este livro que jamais hão de ler...

Que jamais hão de ler; é verdade, mas elas e eles sempre estarão à espera de nós.

 

 

Luís da Câmara Cascudo adoooora fazer uma citação em língua estrangeira sem traduzir. Danado!, mas ele pode; amo ele então perdoo fácil fácil. Mas isso seria coisa para Global Editora fazer aqueeeelas notinhas de rodapé né? Pois é… Deixa pra lá.

 

 

O cancioneiro popular vai mais longe e eu preciso conhecer o Franz Boaz mais de perto. Quando meu amado Will Durant apresentou o Francisco Boaz para mim em A Filosofia da Vida, fiquei totalmente encantado e conquistado. Tem livro do Chiquinho Boaz em português? Preciso procurar.

 

 

Um apito pequenininho feito de um ossinho de animal ficou 12 mil anos em silêncio até ressuscitar pelas mãos de Hernandez-Pacheco, naquele encontro feliz em uma caverna em Paloma; Astúrias. Pois pois, aqui nesta antologia teremos a mesma coisa: flautinhas de muita gente que registrou pedaços da cultura popular brasileira ao longo de séculos irão cantar novamente. Para você que me lê.

 

 

Ah!, mas é maravilhoso! Simplesmente maravilhoso! Eu mal começo a Antologia do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo, e já tropeço no primeiro registro presencial do encontro das lendárias guerreiras amazonas! E por um religioso! Como todo respeito frade Gaspar de Carvajal; mas é impossível ignorar os meses e meses de fome e sede em uma viagem mortal em alto mar em um navio cheio de homens fedorentos e os paralelos freudianos tudo tudo misturado para explicar a sua visão das amazonas.

"Quero que saibam qual o motivo de se defenderem os índios de tal maneira. Hão de saber que eles são súditos tributários das Amazonas, e conhecida a nossa vinda, foram pedir-lhes socorro e vieram dez ou doze. A estas nós a vimos, que andavam combatendo diante de todos os índios como capitães e lutavam tão corajosamente que os índios não ousavam mostrar as espáduas, ao que fugia diante de nós, matavam a pauladas. Eis a razão por que os índios tanto se defendiam.

Estas mulheres são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entraçado e enrolado, na cabeça. São muito menbrudas e andam nuas em pêlo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios. E em verdade houve uma dessas mulheres que meteu um palmo de flecha por um dos bergantins, e as outras um pouco menos, de modo que os nossos bergantins pareciam porcos-espinhos."

(Frei Gaspar de Carvajal)

[Páginas 58 a 61 de Descobrimento do Rio Amazonas, de frei Gaspar de Carvajal, Alonso de Rojas e Cristobal de Acuña; com tradução e notas de C. de Melo-Leitão. Volume de número 203 da Colação Brasiliana {São Paulo, 1943}.].

Brancas, altas e com cabelos lisos. E todo o resto do relato do frei sugere que ele gostava de narrar uma luta: “... uma coisa maravilhosa de ver-se”.

 

 

- Aí vem a nossa comida pulando.

Mais uma história fabulosa, mas mais real. Quer dizer, também acredito nas amazonas; claro, claro. Cof! Cof! Mas onde eu estava? Como todo o respeito, mas não posso resistir e uso minha brasilidade como imunidade:

- Pula, Hans Staten, pula!

 

Pelo menos uma vez por mês a bebedeira indígena a noite toda, dançando sem parar, fazendo um barulho “formidável”. Repartem a comida e raramente ficam zangados uns com os outros. Isso é que é programa de índio!

 

Tentaram nos obrigar a sair do barco que encalhou no rio subitamente por causa da maré baixa. A ideia era fazer muita fumaça de pimenta e para isso os índios tentaram fazer uma fogueira, mas o fogo não pegou. Escapamos.

 

 

Bom, é de época e é preciso compreender; mas as palavras do padre Manuel da Nóbrega podiam ter aquela tolerância gentil dos antropólogos. Triste, triste.

 

 

A mesma coisa com o José de Anchieta, infelizmente. Os índios não conhecem o deus verdadeiro, mas em compensação os demônios selvagens eles conhecem praticamente todos, José de Anchieta? Triste, triste, mas é o contexto, o contexto.

 

Livremente inspirado em Antologia do Folclore Brasileiro, 1944, organizado pelo:

Professor dos professores, o mestre dos mestres, a mistura de Aristóteles e poesia, a mistura do luar que perfuma o rio Potengi com o sol que vivifica o Rio Grande do Norte: Luís da Câmara Cascudo.

(2003, Global Editora e Distribuidora Ltda, São Paulo, edição em dois volumes.)

[1 de 25].

domingo, 7 de maio de 2023

F5 do Non Judicare

 

F5 do Non Judicare

 

Não julgar para não ser julgado; não estranhe a entranha estranha de uma criatura que é igual a você. Atualizar, apertar o F5 deste importante ensinamento. Aliás, nessa altura e pressão do campeonato, como classificar as pessoas como “esquisitas”? É “esquisita” porque você está longe da pessoa, pois fique perto! Mas você tem medo de confundir “compreender” com “perdoar”.

 

Aprendendo com os poemas do Paulo Leminski.

sábado, 6 de maio de 2023

Filha de Dionísio

 


Fotografia antiga, do início mesmo do século XX. Não dá para ter certeza, mas acho que é um pouco depois da Belle Époque. Década de 1920, talvez, talvez? Estados Unidos ou Europa? Podemos até ler um pouco o nome do estúdio fotográfico, - "Rose/Rosa Studio"? -, e é divertido imaginar como deve ter sido a seção de fotos. A expressão da mulher é sedutora e divertida. Espero que ela, família e amigos tenham tido vidas iluminadas.