domingo, 11 de julho de 2021

Democracia dos Soluços

 Democracia dos Soluços
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Soluço vai, soluço vem! Soluço vai pra quem me quer bem!"
Ah!, andaram pensando mal de mim… Soluços para vocês! (risos) Lindo adágio este, engraçado também. Talvez se eu lembrar da próxima vez que eu soluçar eu recite este adágio. Soluços, soluços para todo todo mundo!


Uma notinha sobre guerra de propaganda. Já houve manifestações populares nas ruas contra o Governo Bolsonaro. Umas quatro, acho. Não sei se foi na primeira manifestação ou na segunda; mas sei que foi uma manifestação em que havia muita muita gente e isso impressionou Brasília. Tenho quase certeza que foi a segunda manifestação. Foi, como de costume, no sábado. Naquela edição do “Jornal da Band”, do Grupo Bandeirantes de Televisão, anunciou várias vezes uma reportagem sobre violência que ocorreu naquela manifestação. Foi muito, acho que umas quatro vezes mesmo os anúncios da reportagem. Quando finalmente a reportagem foi mostrada, resumiu-se a imagens rápidas de um grupo de vândalos jogando coisas contra uma loja ou um banco. Não houve sequer entrevistas de autoridades. Um crime feito por uma minoria, mas a questão da guerra da propaganda foram os anúncios repetidos para os telespectadores do “Jornal da Band”: houve violência na manifestação contra o Governo Bolsonaro, houve violência na manifestação contra o Governo Bolsonaro, houve violência na manifestação contra o Governo Bolsonaro… O “Jornal da Band” repetindo a mensagem para tentar tirar um pouco do valor da manifestação de milhares de pessoas que protestaram contra o Governo Federal.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Duas Coisas

Duas Coisas
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Riqueza a valer, é saúde e saber."
Este adágio popular é bem claro, não há muito o que comentar. Talvez podemos comentar um pouco sobre nossa ingratidão a respeito do que já temos e o que já temos é muito mais do que costumamos lembrar. Lembrar também que grande parte de uma boa educação sexual nas escolas consiste em noções de higiene e preconceitos a respeito faz muita gente sofrer com doenças que em país rico seria um absurdo ter casos. E dietas? Alimentação saudável é acessível ainda há poucos. Sobre o saber os problemas a respeito da educação formal já são mencionados muito por mim aqui neste blog (nossa, senti-me importante agora!). Lembro de um texto sobre educação que mencionava que muitas vezes as pessoas esquecem de defender melhores salários também para os… diretores das escolas. Enfim, enfim, uma vida saudável e escutar as pessoas mais velhas. Uma vida saudável e ler mais livros e escutar músicas que não estamos acostumados a escutar. Uma vida saudável e visitar uma exposição de obras de arte. E etc. E etc..

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Cheirando Mal e Sonhando

CHEIRANDO MAL E SONHANDO

Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)

"Quem por si me julga, 
não me ofende."
Como interpretar? Ironicamente e amargamente: eu sei que não sou grande coisa, mas sei também que você não é? Melhor lembrar uma citação do Oscar Wilde: estamos todos mergulhados no lixo, mas alguns olham para as estrelas. Vamos olhar para as estrelas. Tentar, tentar.

Algumas notinhas da nossa amável guerra de propaganda, do Brasil 2021. No início da semana que chegaríamos a meio milhão de mortos oficiais pela Covid-19, durante a “Conversa de Redação” do “Jornal da Itatiaia”, da Rádio Itatiaia; os comentaristas questionaram os números oficiais de mortos. Será que era tudo isso mesmo? Acho que foi na terça ou segunda, que eu ouvi isso. Na segunda-feira seguinte (o número de meio milhão foi alcançado no sábado anterior um pouco antes da noite), o destaque na Itatiaia foi a volta às aulas. O número foi citado, mas bem bem discretamente. Logo após as revelações medonhas dos Miranda à CPI da Covid, o “Jornal da Band”, da Rede Bandeirantes de Televisão”, abre sua edição falando da tragédia na Flórida. A CPI foi citada bem bem discretamente ao longo do telejornal. Adoro esses detalhes da guerra de propaganda. Agora outra nota que eu devia ter falado antes: Globo não gosta do Bolsonaro, a Rádio Itatiaia gosta; mas ambas igualmente não gostavam de Trump e nem tentaram disfarçar a felicidade com a vitória de Biden. Não é curioso isso? Discordâncias na política caseira e convergências na política externa. Acho curioso.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Dignidade para Voadores

Dignidade para Voadores

Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Palmatória quebra o dedo, mas não quebra opinião."
Tem que ser pela palavra, pelo ouvido, pelo diálogo, pelo respeito à quem está diante de nós. E o plano B é a mesma coisa. Somos humanos entre humanos.
Em 2021 no Brasil as coisas não andam acreditando nisso. Muita violência física e muita mentira na internet e nos meios de comunicação mais antigos (jornais escritos, rádios e etc.). Educação formal em crise há mais de 40 anos, o desejo de segurança e de respostas rápidas e agradáveis, decisões político-partidárias ocultas e egoístas, o sempre presente problema econômico… As eleições de 2022 ainda demoram muito muito, mas é popular a opinião que elas vão ser medonhas. Que triste, elogiamos a democracia e a liberdade e ao mesmo tempo a tratamos muito mal.

Agora, para distrair e também porque é importante, dois sonhos. O mais recente, de segunda agora para terça, é curioso porque foi a primeira vez que eu sonho com trabalho. Eu era um jornalista iniciante numa rádio e faria crônica esportiva. Ou sem diplomacia: falar sobre futebol, o único esporte regularmente tratado com seriedade na imprensa brasileira. Eu nada entendo do assunto e tentaria enganar os meus chefes e colegas ali perto de mim no estúdio pequeno da rádio. Lembro que senti medo no sonho, mas não lembro como tudo terminou. Acordei antes. O segundo sonho, de mais ou menos três dias atrás, é clássico meu: realista e surrealista. Por algum motivo eu estava dentro de um fusca. Então, de repente, as quatro rodas do fusca transformaram-se em quatro altas colunas. Sozinho e com medo de altura, eu saio do carro e entro no prédio em frente por meio de uma janela retangular de um apartamento por onde também algumas mulheres vendiam salgados. Coragem minha sair de um carro desses. Agora; por quê alguém vende salgadinhos pela janela no trigésimo andar? Vai ver eu estava numa terra de seres voadores.