sábado, 20 de agosto de 2022

20 de agosto de 2022

Comecei a ler um livro e não terminei. Na verdade há meses que não leio um livro. Também aqui estou sem escrever com regularidade. Estou numa fase meia oca. Mas vou voltar. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Nota Suprema

 Pela postagem anterior, percebe-se que quando escrevo notas eu me empolgo. Pois pois, continuo minhas notas.

Eu não descobri, nem redescobri, eu fui é prestar a atenção no grupo vocal feminino The Supremes. Ah... Sem música a vida é erro mesmo. Mas aí... Meu fone de ouvido estraga. Pior, fica apenas com um dos lados funcionando. Parecia tortura ouvir músicas desse jeito. Mas hoje dei um jeito: um outro fone de ouvido. Pequeno, desses de celular. Salvou minha vida. 

Agora já são três dias seguidos ouvindo The Supremes. Apaixonei-me pela Florence Ballard e depois fui conferir a história dela. É, não tem jeito: sou latino mesmo: gosto de um drama. Sol no sangue, como escreveu Will Durant sobre o mundo Mediterrâneo.

Mas onde eu estava?

Ah, o sorriso da Kathy Sledge da Sister Sledge! Mas aí já é outra história. Deixa eu terminar esta nota e voltar aos livros que eu quero divulgar. Vamos ver se por milagre termino tudo hoje.

O Incêndio do Reichstag, R. John Pritchard

 

Não se pode dizer que H* fez qualquer tentativa para disfarçar suas intenções ditatoriais básicas. Ele não preparou conspiração e não marcou datas. Era simplesmente um grande improvisador. O eleitorado na Alemanha iludiu-se ao pensar que o latido de H* fosse pior que sua dentada, depois que assumisse o poder; isso sempre acontecera com os líderes que o precederam, de modo que parecia razoável esperar o mesmo do futuro. A iminência da catástrofe, mesmo quando divulgada, raramente é reconhecida. O mesmo aconteceu à Alemanha nos anos 30.”



Primeiro de fevereiro de 1933. O Reichstag é formalmente dissolvido. O General Ludendorff, ex-aliado de H* em 1923, telegrafa a seu colega de tempo de guerra, Hindenburg: “Nomeando H* Chanceler, você entregou a sagrada Pátria Alemã a um dos maiores demagogos de todos os tempos. Vaticino-lhe que esse homem maligno mergulhará nosso Reich no abismo e causará desgraça imensurável à nação. As futuras gerações o amaldiçoarão, em sua sepultura, por esta atitude”. “

(…)

7 de fevereiro de 1933. Braun apela ao Supremo Tribunal de Leipzig, num esforço por anular o edito de Hindenburg, alegando que ele é inconstitucional. Sem resultado.”

(…)

22 de fevereiro de 1933. Hindenburg está desesperado com o que fez, mas não vê como modificar a situação. Caracteristicamente, põe a culpa em Papen.”



O Gleichshaltung naz* também atingiu os campos literário e cultural. Por volta de junho de 1933 The Round Table (Londres) concluiu que, a despeito da autoridade concedida ao Governo H* pelo Reichstag, não havia sinal de um declínio no terrorismo dos naz*. Sua busca implacável para destruir obras antinazistas e outra oposição levavam ao saque de residências particulares, bibliotecas, livreiros e igrejas em busca de material suspeito. Milhares de livros foram confiscados e acabaram em enormes fogueiras. Músicos, cantores, atores foram demitidos dos seus postos em organizações culturais. Intelectuais e homens de ciência alemães eram hostilizados, ou então preferiam abandonar a pátria para fugir às perseguições. Muitos alemães buscaram refúgio em outros países. Listas de ódio eram preparadas contra comunistas, judeus ou pessoas antinazistas e suas obras. A reforma da nação alemã estava-se tornando gradualmente num repúdio à tradição cultural. O Berlinger Lokal-Anzeiger disse a 7 de maio: “Não somos nem queremos ser a pátria de Goethe e Einstein. De maneira alguma”. “


O INCÊNDIO DO REICHSTAG – R. John Pritchard.

(História Ilustrada da 2a. Guerra Mundial; seção Política em Ação volume seis. Editora Renes, 1972 [original] e 1976 [edição brasileira]. Dado que o assunto é grave, vai aí as páginas para intelectuais curiosos (e preguiçosos): páginas 33, 46-48 e 85.). Esses livrinhos da Renes sobre guerras e líderes militares são razoavelmente fáceis de serem encontradas em sebos. Eu gostei muito do Irlanda Sangrenta (A. J. Barker), A Conquista da Etiópia (A. J. Barker) e A Guerra dos Seis Dias (A. J. Barker).

Pausa.

Fui na biblioteca para conferir os nomes dos autores e descubro que é o mesmo. (risos) Você tem um historiador militar britânico favorito? (risos) Eu tenho! A. J. Barker. Ou melhor: A. J. Barker. É que também faz tempo que eu li os livros e também sou meio distraído. De qualquer forma uma nota: se alguém falar para você que o apoio naz* a Franco na Espanha durante a Guerra Civil Espanhola foi o grande evento precursor da Segunda Guerra, não acredite; foi a invasão de Mussolini à Etiópia. O comportamento da Liga das Nações e dos outros países foi constrangedor. 

Mas onde eu estava? Ah, no meu tempo (tempo de faculdade) os livros em sebos custavam em média 10 Reais. Hoje aumentou muito o preço. Mas ainda vale a pena, pois o material da Renes é muito bom.

Notas.

Achei prudente censurar o nome do demagogo genocida e a sua ideologia, não tenho assessoria jurídica e o pessoal julga muito fácil os outros nesses tempos. Eu é que não arrisco. Este meu blog não é importante, mas eu escrevo como se ele fosse. No mais eu já escrevi aqui que sou hipocondríaco jurídico.

O julgamento em si não foi mencionado nos trechos que escolhi divulgar do livro de R. John Pritchard, mas a história toda daria um filme bem didático: Alemanha pré-naz*, Alemanha naz*, diálogos inteligentes pois grande parte do filme se passaria no tribunal (Dimitrov preso acusado todo desvantagem e mesmo assim derrotando Göring e Goebbels nos debates no tribunal) e todo mundo gosta de oratória, sem mencionar a tragédia humana em Van der Lubbe e as cenas do prédio em chamas. Alguém sabe o telefone do Steven Spielberg e do Terry Gilliam?

E eu estou indo comprar os dois primeiros volumes já lançados no Brasil da trilogia italiana sobre o Mussolini escritas pelo Antonio Scurati. E você também! Já fez? Bom bom leitora e leitor! A história é uma professora importante, ensinou e ensina Cícero.

domingo, 7 de agosto de 2022

Filosofia da Vida, Will

 

... mas a flecha está, em cada momento, num só lugar; e, portanto, esta em repouso em cada momento do seu voo. “Tudo pode ser provado com o raciocínio”, conclue Anatole France. “Zenão de Eléia demonstrou que uma flecha em movimento está sempre imóvel. Pode-se provar o contrário, embora, para sermos verdadeiros, tenhamos que confessar que é mais difícil. ””



Ninguém ainda mediu a potencialidade do homem para o bem.”



Foi Platão, o filósofo do amor, quem disse: “Aquele que não ama caminha no escuro”.”



Maria Luísa da Áustria gabava-se de obter de Napoleão tudo quanto queria, se chorava duas vezes.”



Um jornal de Baltimore informa-nos que recentemente um homem foi levado em bem crítica situação a um hospital daquela cidade, em consequência do assalto de três raparigas, numa floresta perto de Hurlock. Ia o homem caminhando a pé, quando as raparigas, de auto, lhe ofereceram um lugar. Aceitou. Depois de caminhados vários quilômetros, diz a vítima, elas detiveram o carro num sítio ermo. Durante o “petting party” que se seguiu, uma das moças enfureceu-se com sua falta de ardor. Um pega se seguiu. Enquanto duas o seguravam, a terceira o espetava cruelmente com um alfinete de chapéu. Por fim as raparigas fugiram. Deixando-o por terra naquele triste estado. É lá possível depois disso termos dúvida sobre a emancipação da mulher?” ((*))


Havemos de que encarar perigos e procurar a responsabilidade; poderemos ser batidos, aniquilados – mas a data da morte duma criatura que tem de morrer é detalhe cronológico sem importância para a filosofia.”



O economista belga Quetelet mostrou a notável regularidade estatística de ações aparentemente voluntárias, como o casamento, ou acidentais, como a colocação no correio de cartas sem endereço. Destes simples dados infiro que embora a conduta humana nos pareça livre quando vista em detalhes, revela-se quando vista em massa, determinada por forças alheias à vontade do indivíduo.”



Nem podemos definir o progresso com relação à felicidade, porque os idiotas são mais felizes que os gênios.”



Espantava-se Kant de que no mundo houvesse tanta bondade e tão pouca justiça; a razão, talvez, é que na bondade temos uma simpatia espontânea, e a justiça depende de raciocínio e julgamento.”



A ordem é um meio de conseguir liberdade, não o fim da liberdade; a liberdade não tem preço, já que é o instrumento vital da evolução. “No fim”, diz Goethe, “só a personalidade conta”.”



As minorias podem organizar-se; as maiorias, não – eis tudo. O governo ou é monárquico ou oligárquico, disso não há como escapar.”



Foi o que sucedeu a Pedro, o Grande, quando quis numa só geração ocidentalizar a Rússia – e o que sucedeu a Lenine quando quis faze-la socialista. O passado reage.”



Gabriel Tarde (1843-1904) mostra como os deuses mais despóticos eram os mais reverenciados – o que também acontece com os maridos.”



Tão real era a sociedade dos mortos, que em muitos lugares os chefes lhes enviavam mensagens pelo único meio de comunicação possível: um servo a quem cortavam a cabeça. Se era esquecido alguma coisa, lá ia outro escravo sem cabeça com o “post scriptum”.”



Como disse Renan, os gregos deram ao espírito humano a liberdade, mas os judeus trouxeram a fraternidade. A Grécia teve cultura, mas não revelou coração; até seus filósofos defendiam a escravidão. Se os gregos produziram arte e ciência, dos judeus saiu a ideia de justiça social e dos direitos do homem.”



“ “O cristianismo”, diz Renan, foi a “obra-prima do judaísmo.” Ou, na frase de Heine – uma heresia judaica.”



Também Lao-Tsé mandou que amássemos nossos inimigos. Mas Confúcio disse: “Com que, então, recompensará a bondade? Paga o bem com o bem, e o mal com a justiça.””



Converteram o imperador Constantino, dele obtiveram aquela famosa “Doação”, aceitaram legados opulentos, e por fim a Igreja dos pobres pescadores da Judéia se transformou na mais rica e poderosa organização que o mundo ainda viu.”



A humanidade não quer ciência – tem um pavor mortal à ciência, porque a ciência só ensina que a vida devora a vida e que toda vida morre. As massas jamais aceitarão a ciência enquanto a ciência não lhes der o paraíso na terra.”



Todas as verdades são velhas e só os poetas e os loucos podem ser originais.”



Duas coisas refutam Deus: a vida e a morte, nenhum médico ou general pode crer nele.”



Dean Swift, que devia conhecer muito bem a matéria, disse que temos religião bastante para nos fazer odiar, mas muito pouco para nos fazer amar uns aos outros.”



E ainda veremos a ciência e a religião unidas na mesma alma, como se mostraram em Leonardo, Spinoza e Goethe.”



Se conhecêssemos melhor a história nela encontraríamos elementos para grandes consolações. A perspectiva é tudo.”



Além disso só tem o direito de lamentar a morte quem ama a vida; para um pessimista a morte há de ser a maior das bênçãos.”


FILOSOFIA DA VIDA - Will Durant.

Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1948. Tradução de Monteiro Lobato.

* A edição brasileira é de 1948, mas o livro original (cujo o título é "The Mansions of Philoshophy") é de 1929. O que torna este trecho ainda mais interessante.