Bom dia, eu me chamo Aldrin Iglesias e aqui estarão fotografias e textos realizados por mim. É que eu sou fotógrafo e também gosto de ler.
domingo, 27 de novembro de 2022
William James 7 de 36
William James 7 de 36
– Você está muito esperançoso.
– Não é esperança, é falta de opção.
Aí o dentista ficou calado. Pela resposta minha e pela minha idade. Eumal tinha começado minha adolescência. Foi a décadas atrás, no tempo do colégio.
Mas afinal, qual é mesmo a alternativa? William James vai repetir em seus textos e livros que a evolução pessoal é possível e que essa capacidade de mudar atitudes e comportamentos é inerente. As asas para isso são as nossas experiências passadas, sejam elas de caráter mais práticos (o que realmente aconteceu) ou mais abstratas (planos, desejos, sonhos que não chegaram a acontecer mesmo). Nós temos mais do que o suficiente, pelo menos não é correto dizer que “começamos do zero” depois que a gente decide revolucionar a própria vida. Este otimismo de William é bem estimulante.
31 de outubro de 2022. Mas já na hora do almoço mesmo os órgãos de imprensa que não gostam do Governo Bolsonaro, como UOL e Globo, mudaram a postura e deram aos bloqueios nas estradas mais espaço no noticiário. Ignorar não estava fazendo aquelas pessoas voltarem para casa. Eram muitos bloqueios e chamou a atenção a postura ambígua que desde o início as forças de segurança assumiram ao tentara resolver a situação. Se fosse pessoas pobres e militantes do Movimento dos Sem Terra que estivessem protestando e fechando as estradas a polícia a tanto tempo, ah... Seria preciso semanas para que a justiça fosse atrás dos líderes do movimento e do financiamento e mesmo hoje, 26 de novembro de 2022, a situação toda ainda não está clara. Muitas pessoas protestando contra o resultado das urnas no segundo turno para presidente do Brasil.
Ainda no domingo, dia 30 de outubro de 2022, me chamou a atenção na GloboNews o comentarista Gerson Camarotti falando que vários líderes mundiais já tinham reconhecido a vitória de Lula na eleição e que, portando, tudo estava consolidado e nada havia o que questionar. Isso foi o quê? As 21 horas da noite daquele domingo? Olha a pressa. A própria equipe de Lula imediatamente preparou os trabalhos para começarem a transição. Tudo isso ainda na primeira semana. Havia no ar uma pressa e uma urgência que cheirava a perigo de golpe. Vai ser preciso tempo e historiadoras e historiadores para poderem esclarecerem mais a nós o quão perto tivemos de… Se bem que ainda não acabou. Ainda não acabou.
Primeiro de novembro de 2022. Naquele primeiro de novembro a coisa estava feia, o ineditismo da situação e o aumento de paralisações dos bolsonaristas nas estradas. Na Rádio Itatiaia, que apoia o Governo Bolsonaro, a comentarista de economia falou que era “a metade” da população que estava protestando e que “quem era ela para poder julgar” o que os manifestantes estavam fazendo. Imagino o que a economista diria se fosse a turma do outro candidato a presidência que, perdido as eleições, manifestasse dessa maneira contra o que julgam ser uma derrota injusta. Como é o Governo Bolsonaro que ela defende a comentarista de economia da Itatiaia era toda compreensão e perdão. Ah, e ela pela milésima vez falou do magistrado Ives que ela gosta tanto. Na parte da “conversa de redação”, após o Jornal da Itatiaia ela disse quase a mesma coisa. Os outros comentaristas criticaram negativamente a postura de Bolsonaro diante dessa crise.
Pausa.
Tem um exemplo de guerra de propaganda em defesa de Bolsonaro que aconteceu na Rádio Itatiaia e que esqueci de comentar aqui. Foi numa segunda-feira, 24 de outubro de 2022. O episódio do Maluco Tristeza Jefferson foi no domingo, no dia anterior. Um dos principais aliados de Bolsonaro. Episódio chocante, violento, como poucas vezes aconteceu no Brasil nos últimos anos. Como a Rádio Itatiaia, apoiadora do Bolsonaro, iria lidar com o episódio? A principal repórter da Itatiaia em Brasília Edilene leu um texto brilhante: o uso do “presidente” e “Bolsonaro” em doses desiguais e numa sequência especial aliviava muito muito o constrangimento político para Bolsonaro causado por episódio. Se o ouvinte não prestasse muito à atenção ao que ouvia. O texto foi tão tão tão bem escrito que em sua participação na “Conversa de Redação”, o que não é muito comum, diga-se de passagem, a Edilene praticamente releu o seu texto na íntegra. E é quase um minuto de texto. Mas eu também sou assim: quando gosto de um texto meu, releio e releio sempre. Ah, Itatiaia… Itatiaia… E ninguém mais falou do episódio.
Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).
Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).
sexta-feira, 25 de novembro de 2022
William James 6 de 36
William James 6 de 36
Um olhar positivo quando diante do hábito, o maior e mais valioso leme da sociedade. E por quê não? Não estamos defendendo uma vida automática, escrava, zumbi: casa, escola, casa, trabalho, casa, trabalho, um pouquinho para nós, casa, trabalho, casa, trabalho, casa, trabalho, cemitério… Não, não.
A questão aqui é que se já tivermos o nosso caráter formado, tipo aos trinta anos por exemplo, podemos deixar no “automático” grande parte de nosso dia a dia e assim nossa mente poderá libertar os seus mais poderosos poderes. O hábito nos ajudando a sermos livres.
É curioso encarar isso como um elogio poderoso à disciplina. Aí peço ajuda à poesia. E a poesia está sempre certa. Me ajude, Legião Urbana.
“Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa.”
(Canção Há Tempos, composta por Eduardo Dutra Villa-Lobos, Marcelo Augusto Bonfá e Renato Manfredini Júnior. Achei melhor citar toda a última parte da canção, pois a lição de aceitar o viver em sua integridade e ao mesmo tempo superar os vícios é uma lição importante.)
Agora a política. A gente lê sobre grandes eventos históricos e fica se perguntando como seria presenciar um evento histórico. Em Walden, de Thoreau, a gente aprende que cada segundo é histórico que cada segundo você pode escolher usar para mudar a sua vida para melhor e etc.. Bom, tudo bem, mas há momentos históricos que são, digamos, mais “portentosos”. Uma eleição presidencial extremamente polarizada em um país extremamente polarizado, violento, injusto e sofrido; por exemplo.
Dia 30 de outubro de 2022. Pela Rádio Itatiaia, bem de manhã mais ou menos as 7 e meia da manhã, descubro que a gratuidade do transporte (algo determinado que o Tribunal Superior Eleitoral queria para evitar a abstenção no dia da eleição para presidente da república) em Belo Horizonte tinha detalhes: os trens urbanos estavam cobrando passagem e demoraram muito a deixar gratuito a passagem (foi só depois das 11 horas da manhã). Por quê? Com os ônibus não houve problemas. O órgão que cuida dos trens urbanos disse que não recebeu oficialmente o comando para passagens gratuitas. Companhia Brasileira de Trens Urbanos: https://www.cbtu.gov.br/index.php/pt/
A votação foi muito rápida. Nem teve fila. Eu liguei o computador e liguei a internet para acompanhar o trem da votação por volta das 10 e meia da manhã. Daquele momento até as 18 horas, a coisa estranha polêmica era a Polícia Rodoviária Federal nas estradas revistando alguns veículos no nordeste. A abstenção era um fator chave para a construção do resultado da votação e a esquerda no YouTube ficou em pânico e falava em golpe. Mais tarde, entre 18 e 19 horas, mais ou menos, na Rede Bandeirantes de Televisão, que simpatiza com o Governo Bolsonaro, num programa que acompanhava os resultados das urnas; um comentarista político afirmou que essa polêmica toda com a Polícia Rodoviária Federal era nada e que o pessoal assustado estava era procurando “pelo em ovo”. Expressão feia de se ouvir e imaginar. Ok, era para todo mundo ficar calmo. E assim foi a postura até de madrugada. De madrugada vejo pela internet que tem muitos pontos de estradas em que caminhoneiros estavam bloqueando como forma de protesto contra a derrota do Governo Bolsonaro.
Na manhã e tarde (31 de outubro de 2022), agora é a vez da UOL não dar destaque ao ocorrido nas estradas com os caminhoneiros, dando a entender que são pequenas manifestações de uma minoria.
Eu, assim como o “povão”, saberíamos que alguma coisa fundamental fora do normal estaria acontecendo? Um espectro me ronda aqui e ronda o Brasil: o espectro da proclamação da república: o povão iria perceber que o trem iria acontecer? Alguém ia convidar a gente para decidir?
Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).
Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).
quinta-feira, 24 de novembro de 2022
William James 5 de 36
William James 5 de 36
Agora Erasmo Carlos. Erasmo Carlos a ficar encantado. Minha lembrança afetiva é eu, na CPJ (Central de Produção Jornalística) lá na Faculdade Newton Paiva, cantarolando:
“Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear
Botinha sem meia
E só na areia eu sei trabalhar
Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos dez ma-a-a-a-ais...”
(Eu sei que esta música é do Eduardo Araújo, mas ela também foi gravada pelo “Tremendão”. A Jovem Guarda era uma família. A propósito disso, uma recomendação patriótica: o documentário Jovem aos 50 – A História de Meio Século da Jovem Guarda [Sérgio Baldassarini Junior, 2017]).
Mais mais mais mais especial ainda pelo fato d´eu ter sido acompanhado por uma colega de estágio e sala de aula. Ela tem um nome judaico e que significa “primeiro raio de sol no deserto”, segundo ela me contou. Agora pesquisando na internet parece que o nome também significa “ano”, ou ainda “ano novo”. Então diplomaticamente podemos ficar com “primeiro raio de sol do ano novo no deserto”. Bom bom, mas onde eu estava? Ah, lembro também que quando o pai desta colega encantou-se eu a consolei por telefone e ela ficou emocionada de verdade com minhas palavras. Uma boa lembrança para um cara tão anti social quanto eu e que mesmo assim as vezes faz algo que preste como consolar alguém. Naturalmente que não éramos amigos e depois da faculdade rapidamente nos afastamos. Nem telefone tenho. Espero que esteja tudo bem com ela, família e amigos. Tudo bom para você, primeiro raio de sol no deserto!
Bom bom, mas onde eu estava? Vamos voltar aos braços do nosso William James.
Agora já estamos afastado da introdução e já abrimos a porta e entramos na casa da Psicologia. Mas não entramos muito. Entramos, mas todo o lugar ainda é todo mistério. Não obstante…
Sabemos que a consciência quando trabalha seleciona uma parte de seu objeto. Também recebendo e rejeitando sempre uma parte. Sempre peneirando e não lidando com tudo de uma vez. O coração da psicologia é porque a peneira é assim. William James acredita que tem duas senhas para decifrar os critérios da consciência: atenção e hábitos.
O quão longe essas duas senhas vão nos levar ficará para o próximo dia.
Livremente inspirado em William James e a Psicologia da Consciência, capítulo 6 de "Teorias da Personalidade", livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).
Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).