terça-feira, 29 de novembro de 2022

William James 9 de 36

 

William James 9 de 36



É uma discussão antiga, acompanhando a rede mundial de computadores desde sua definitiva popularização em meados de 1999 e 2002. Um pouco antes ou depois. Agora nesta segunda década do século XXI a discussão continuou e seus espinhos penetraram mais ainda nossa carne: o paradoxo da internet: mentiras são mais populares que o conhecimento e a incompreensão agressiva é mais comum do que o diálogo e a tolerância. Tudo isso já existia antes da internet claro, mas por alguns instantes a internet, - tão revolucionária quando apareceu! Lembram? -, parecia que ia combater esses vícios e não ser adubo e fertilizante para eles.

Pois William James no final do século XIX e começo do século XX abordou essa “cegueira” de nossos ouvidos na hora de escutar os outros e a nossa ignorância magnífica que impede a gente de compreender a pessoa em nossa frente. Um termo que podemos usar é “cegueira pessoal”. Para começar é bom que o espectador ansioso em julgar o espetáculo saiba de antemão que quem está no palco sabe mais, sabe muito mais. Não compreendemos os outros porque antes não compreendemos a nós mesmos. Até aí é meio clichê, mas William vai nos apontar uma causa não muito óbvia assim: o nosso afastamento do canto das cigarras e do nascer do sol. Nos afastamos da natureza, ficamos com um gosto pessoal inclinado a preferir o mais raro e o mais sofisticado. E com isso o diamante do momento presente e do comum normal a todos, escorre por entre nossos dedos. E fica muito mais difícil entender os outros e conviver em sociedade. Difícil também quando pedem que a gente explique nossos sentimentos. E, por outro lado, facilita que maus hábitos acabem sendo aceitos mais facilmente por nós. Erramos mais facilmente. Precisamos cheirar uma flor, olhar uma estrela e começar o dia querendo conhecer quem nos olha no espelho.

Não sei se expliquei bem o parágrafo do livro de Fadiman e Frager, não sei bem se expliquei bem este ponto em que William James aborda o moderno artificialismo estéril que nos afasta socialmente. Não sei. Mas que fique registrado que o ensaio em que William nos ensina essa lição era o ensaio favorito dele e pode ser lido em Talks to Teachers on Psychology and to Students on Some of Life´s Ideals (1899, Henry Holt and Company. Reimpressão inalterada em 1962 pela New York: Dover).




Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

William James 8 de 36

 

William James 8 de 36



O pessimismo é essencialmente uma doença religiosa.


William James em The Will to Believe and Other Essays in Popular Philosophy. Nova Iorque e Londres, Longmann, Green and Company, 1896.

Pelo sorriso da Kalki Koechlin e pela tiara nos cabelos da Kristy Marlana Wallace!, como eu amei isso! Como eu amei amei amei! Devia detalhar aqui os paralelos entre minha infância católica e meu amor por Friedrich Nietzsche na adolescência. Minha avó materna e minha mãe, aquele círculo vicioso de influência. Mesmo porque estamos escrevendo aqui sobre psicologia… (risos). A mania brasileira de evitar contar sobre vitórias para não despertar inveja, e dá-lhe dá-lhe notícias ruins durante as conversas com estranhos e com conhecidos. Mas vamos evitar generalizar. Este ensinamento de William James é bem bonito: o mundo não é tão horrível assim. E gratidão é virtude.


Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).

domingo, 27 de novembro de 2022

Irene Cara - "What A Feeling" (1983) - MDA Telethon

William James 7 de 36

 

William James 7 de 36



Você está muito esperançoso.

Não é esperança, é falta de opção.

Aí o dentista ficou calado. Pela resposta minha e pela minha idade. Eumal tinha começado minha adolescência. Foi a décadas atrás, no tempo do colégio.

Mas afinal, qual é mesmo a alternativa? William James vai repetir em seus textos e livros que a evolução pessoal é possível e que essa capacidade de mudar atitudes e comportamentos é inerente. As asas para isso são as nossas experiências passadas, sejam elas de caráter mais práticos (o que realmente aconteceu) ou mais abstratas (planos, desejos, sonhos que não chegaram a acontecer mesmo). Nós temos mais do que o suficiente, pelo menos não é correto dizer que “começamos do zero” depois que a gente decide revolucionar a própria vida. Este otimismo de William é bem estimulante.



31 de outubro de 2022. Mas já na hora do almoço mesmo os órgãos de imprensa que não gostam do Governo Bolsonaro, como UOL e Globo, mudaram a postura e deram aos bloqueios nas estradas mais espaço no noticiário. Ignorar não estava fazendo aquelas pessoas voltarem para casa. Eram muitos bloqueios e chamou a atenção a postura ambígua que desde o início as forças de segurança assumiram ao tentara resolver a situação. Se fosse pessoas pobres e militantes do Movimento dos Sem Terra que estivessem protestando e fechando as estradas a polícia a tanto tempo, ah... Seria preciso semanas para que a justiça fosse atrás dos líderes do movimento e do financiamento e mesmo hoje, 26 de novembro de 2022, a situação toda ainda não está clara. Muitas pessoas protestando contra o resultado das urnas no segundo turno para presidente do Brasil.

Ainda no domingo, dia 30 de outubro de 2022, me chamou a atenção na GloboNews o comentarista Gerson Camarotti falando que vários líderes mundiais já tinham reconhecido a vitória de Lula na eleição e que, portando, tudo estava consolidado e nada havia o que questionar. Isso foi o quê? As 21 horas da noite daquele domingo? Olha a pressa. A própria equipe de Lula imediatamente preparou os trabalhos para começarem a transição. Tudo isso ainda na primeira semana. Havia no ar uma pressa e uma urgência que cheirava a perigo de golpe. Vai ser preciso tempo e historiadoras e historiadores para poderem esclarecerem mais a nós o quão perto tivemos de… Se bem que ainda não acabou. Ainda não acabou.

Primeiro de novembro de 2022. Naquele primeiro de novembro a coisa estava feia, o ineditismo da situação e o aumento de paralisações dos bolsonaristas nas estradas. Na Rádio Itatiaia, que apoia o Governo Bolsonaro, a comentarista de economia falou que era “a metade” da população que estava protestando e que “quem era ela para poder julgar” o que os manifestantes estavam fazendo. Imagino o que a economista diria se fosse a turma do outro candidato a presidência que, perdido as eleições, manifestasse dessa maneira contra o que julgam ser uma derrota injusta. Como é o Governo Bolsonaro que ela defende a comentarista de economia da Itatiaia era toda compreensão e perdão. Ah, e ela pela milésima vez falou do magistrado Ives que ela gosta tanto. Na parte da “conversa de redação”, após o Jornal da Itatiaia ela disse quase a mesma coisa. Os outros comentaristas criticaram negativamente a postura de Bolsonaro diante dessa crise.

Pausa.

Tem um exemplo de guerra de propaganda em defesa de Bolsonaro que aconteceu na Rádio Itatiaia e que esqueci de comentar aqui. Foi numa segunda-feira, 24 de outubro de 2022. O episódio do Maluco Tristeza Jefferson foi no domingo, no dia anterior. Um dos principais aliados de Bolsonaro. Episódio chocante, violento, como poucas vezes aconteceu no Brasil nos últimos anos. Como a Rádio Itatiaia, apoiadora do Bolsonaro, iria lidar com o episódio? A principal repórter da Itatiaia em Brasília Edilene leu um texto brilhante: o uso do “presidente” e “Bolsonaro” em doses desiguais e numa sequência especial aliviava muito muito o constrangimento político para Bolsonaro causado por episódio. Se o ouvinte não prestasse muito à atenção ao que ouvia. O texto foi tão tão tão bem escrito que em sua participação na “Conversa de Redação”, o que não é muito comum, diga-se de passagem, a Edilene praticamente releu o seu texto na íntegra. E é quase um minuto de texto. Mas eu também sou assim: quando gosto de um texto meu, releio e releio sempre. Ah, Itatiaia… Itatiaia… E ninguém mais falou do episódio.



Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).