sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Recorde

 Pode ser Amor, ou apenas febre. "God only knows" (Beach Boys) já entrou para a lista das músicas que mais escutei na vida. Entrou para a família de "Barcarolle" (Offenbach na versão de Waldo de Los Rios), "O Moldavia" (Smetana), "Pas de deux" e "Valsa das Flores" (Tchaikóvsky) e umas outras que a memória me fez perder agora. É até engraçado esquecer de alguma música que quando começo, posso escutar sem parar. Mas acontece. Sou assim mesmo. Alguma brasileira? Claro, mas entrou na lista das esquecidas. Engenheiros do Hawaii e Maria Bethânia com certeza. 

Apreritivo de Romain Rolland

 

Aperitivo de Romain Rolland

 

Platão ensina que quem não ama caminha no escuro; então como eu amo o Will Durant eu frequentemente sou guiado pela sua luz. Às vezes isso é fácil e às vezes isso é difícil. No seu ensaio maravilhoso sobre os melhores livros para a educação, descubro que o romance Jean Christophe é o “melhor romance” do século XX. Trem charmoso dado que a opinião hegemônica dá o troféu para ou Kafka ou Proust ou James Joyce. Infelizmente é um livro difícil de comprar. Mas vou economizar nas lágrimas aqui e refletir sobre as modas intelectuais.

Assim como houve uma época que Anatole France rivalizava com Goethe e Shakespeare e hoje Anatole é um nome esquecido; quem ousaria colocar Romain Rolland acima de Proust, Kafka e James Joyce? (risos) Ah, as modas intelectuais! A fama é cruel. A Roda da Fortuna não para.

Não obstante, o Amor é exigente: por causa do meu Will Durant eu preciso de um pouco de Romain Rolland. Felizmente achei um pequeno tesouro, um pequeno aperitivo. Pode ser pouco ou pode ser infinito e isso depende de quem está me lendo agora. Você. Pode ser o começo de alguma coisa.

 

- Ajudar o seu amigo indiano a construir e manter a sua universidade.

- Maldita tuberculose!

- Preciso ler Au-dessus de la mêlée (1915)!

- Talvez seja por causa do talento do José Paz Rodrigues, mas em menos de 15 segundos já me apaixonei pelo Romain Rolland; um romântico, o hippie (“filhos das flores”) antes do tempo, um orientalista, um pacifista... Um Amor...

- Ora ora, quem me aparece aqui: Stefan Zweig! Na biblioteca comunitária temos alguns livros do Stefan. Será que temos a biografia que ele escreveu sobre o autor que era a “consciência moral da Europa”?

- Pelo sorriso da Kalki Koechlin!; mas este texto-postagem Romain Rolland, o Grande Pacifista Amigo de Tagore; de José Paz Rodrigues (https://pgl.gal/romain-rolland-o-grande-pacifista-amigo-de-tagore/ ) é simplesmente perfeito! Perfeito! O texto, as pesquisas, os vídeos relacionados...

- Romain gostava de um manifesto e era realmente engajado em causas políticas pacifistas.

ANTOLOGIA DA ANTOLOGIA DE ALGUMAS DAS AFIRMAÇÕES DE ROMAIN ROLLAND

-“Criar é matar a morte”.

-“Todas as deceções são secundárias. O único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos”.

 -“A vida não é triste. Tem horas tristes”.

 -“Se um sacrifício é uma tristeza para ti, e não uma alegria, então não o faças, não és digno dele”.

-“Ao querermos enganámo-nos muitas vezes. Mas quando nunca queremos enganámo-nos sempre”.

-“Aqueles a quem amamos têm todos os direitos sobre nós, até o de deixarem de nos amar”.

-“A verdade é procurar sempre a verdade”.

-“É o papel do artista criar a luz do sol quando o sol falha”.

Agora um “raio-x interpretativo” para identificar os ossos essenciais da obra de Romain Rolland: Saltar por cima dos muros, depois de rasurar o sagrado e digerir tudo depois. Ser o membro das ligas democráticas mais erudito e sério, além de cultivar um humanismo que seja vacina contra a tecnologia moderna que possa destruir a humanidade. Não ter medo de enfrentar a propriedade privada, pois o importante é o Amor combatendo as injustiças.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Alfred Adler 12 de 17

 

Alfred Adler 12 de 17

 

 

A moda intelectual existe e frequentemente é cruel com algumas autoras e autores. Normalmente lembramo-nos dos casos em que determinada pessoa é lembrada e glorificada e depois esquecida (Anatole France e Lygia Bojunga, por exemplo) ou então o caso que um nome precisou de muito tempo para ser reconhecido com justiça (Van Gogh e Nietzsche, por exemplo). O caso do nosso Alfred Adler é que as pessoas aprendem com ele e depois esquecem de agradecer! Héin? Ele é lido e influencia, mas não compartilha do prestígio intelectual do meio acadêmico do mundo da psicologia e psicanálise, como se Adler no fundo no fundo não fosse original ou profundo o suficiente. Parte da explicação para isso é que Alfred Adler era mais prático que teórico, preferia uma palestra do que investir em um super livro; daí que sua popularidade é mais entre assistentes sociais, professores e clínicos que precisam de ferramentas psicológicas mais práticas possíveis. Os seus livros não tem aquela termologia obscura e grandiloquente que tantas vezes encontramos no mundinho acadêmico fechado em si mesmo. O que agradaria o nosso Alfredo, já que sabemos que Adler preferia mil vezes a praticidade e o coletivo do que uma postura egocêntrica e solitária.

 

 

 

Livremente inspirado em “Alfred Adler e a Psicologia Individual”, capítulo 3 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).

 

Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).