domingo, 1 de outubro de 2023

Zen-Budismo 1 de 10

 

Zen-Budismo 1 de 10

 

 

Acho que podemos chamar este fenômeno cultural de “onda de orientalismo”. De repente há uma curiosidade, um desejo, aqui no Ocidente, de conhecer o Oriente. Na esperança de ali encontrar novos valores, ideias e caminhos. Não é raro no Ocidente o sentimento de desorientação e frustração profunda. A cidade nos isola, os meios de comunicação nos deixam tristes, a política agride, a ciência é estrangeira e os sacerdotes não são humanos...  

Não sou especialista, mas acho que tivemos uma “onda de orientalismo” forte na virada do século XIX para o XX, em meados da década de 1940 (por exemplo, meu avô paterno tinha muitos livros do chinês Lin Yutang) e na década de 1960. Desde os anos 2000, para trazer o assunto para mais próximo de nós, os livros de Dalai-Lama são muito populares. Pois bem, Fadiman e Frager mencionam que em meados da década de 1970 (Personality and Personal Growth é de 1976) também havia uma “onda de orientalismo” bem forte. E ela se fez sentir entre estudiosos da Psicologia e Psicanálise e outros estudiosos da mente humana.

 

É importante lembrar que apesar da antiguidade realmente milenar e do caráter profundamente pessoal (quanto aos fundadores) dessas escolas de pensamento religioso-filosófico, a importância delas hoje e sempre se dá pelo seu poder de readaptação aos novos tempos e ao fato que milhões de pessoas em dezenas de países as veem como realidade viva e não abstração acadêmica. Não obstante, muitos cientistas ocidentais demoraram a aproximar-se do fenômeno religioso-transcendental. Por motivos preconceituosos, ao assumirem por princípio que isso não era área científica e sim questão de fé pessoal. Ou mesmo por uma questão mais técnica, dado que a linguagem científica convencional não conseguia dialogar com a linguagem religiosa. Os termos de ambos os lados se chocavam em vez de dançar.

 

Eu já vi isso em Rubem Alves, já vi em Herman Hesse, em Joseph Campbell e, com algumas variações, também vi em Nietzsche. E até podemos ouvir Belchior em Como nosso pais. E, também, claro, claro, também a Raposa amiga do Pequeno Príncipe contou a ele e a nós. Agora estou aprendendo a mesma lição em uma história budista pela voz do próprio Buda: é preciso prestar atenção e não deixar escapar. Mas prestar atenção em quê e não deixar escapar o que? A gente sabe e não sabe. Ou melhor, a gente sabe; mas acaba esquecendo facilmente. Preste atenção na realidade, na verdade oculta, no tesouro essencial... Cuidado para argumentos lógicos e crachás de autoridade não prenderem os seus pés como algas perigosas durante a travessia de um rio mortal. Preste atenção no que importa.

 

 

Livremente inspirado em “Segunda Parte Introdução às Teorias Orientais da Personalidade” e capítulo 10 “Zen-Budismo”. Do livro Teorias da Personalidade, de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

28 de setembro de 2023

 

28 de setembro de 2023

 

Amigo, não aguento mais reapresentar o que achei mais interessante de Teorias da Personalidade, de Fadiman e Frager. É um dos livros mais maravilhosos que já conheci, mas graças à minha desorganização fiquei tempo demais com ele e não aguento mais. Mas ainda falta a parte oriental do trem e o Abraham Maslow.

 

Era para ser William James, Alfred Adler, mulheres, oriente e pronto. Mas uma citação que por acaso encontrei do Abraham Maslow, mais uma coisa que ele escreveu sobre sinergia me fizeram acreditar que eu precisava dele. A citação tem haver com o pessimismo estrutural-essencial em Freud, coisa que até um leigo como eu já suspeitava. Sinergia é porque a minha família aqui tem sinergia zero, a gente não consegue olhar na mesma direção e frequentemente nos vemos falando línguas diferentes. Trabalho em equipe é quase impossível. Pouco mais do que três pessoas estranhas morando na mesma casa.

 

Mas eu preciso terminar o trabalho. Sou tão infantil e terminar o trabalho tem algo de adulto e maduro não é? Então vou ser breve e posso até transformar as lições em textos reservas para este blog ser diário. Quem sabe? Então vamos começar logo.

 

Havia um crescente orientalismo nos Estados Unidos em meados da década de 1970. Orientalismo no Ocidente tem quase sempre, mas em alguns momentos o trem tá forte. E vice versa, já que no Oriente o pessoal também inventa de querer imitar-nos. O que nós claro, aqui, achamos uma tremenda bobagem. Mas é preciso acreditar que os sábios de cada lado vão saber desenvolver-se e as melhores ideias vão florescer melhor com a mistura inevitável. Apesar da frequente burrice da humanidade “cantar de galo” frequentemente.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

27 de setembro de 2023

 

27 de setembro de 2023

 

Meu amigo, como você vai? Eu sei que você está morto e também sei que só lembrei-me de você agora, mas eu preciso escrever para alguém! Por isso nunca consegui escrever um diário, eu preciso saber que estou escrevendo para alguém. Mesmo que a chance seja de 0,00001%. Se não é zero, já é suficiente para mim.

 

Mas como você está? Sei que você está no céu. Sou agnóstico, mas sei que você está no céu. Este catolicismo não praticante de minha parte. Fazer o quê? Humanismo renascentista e iluminismo; pois não me venham com crachás de procuração para falar em nome de tudo aquilo que é divino! Divino é apenas o humano.

 

Mas onde a gente estava? Eu me formei em jornalismo. Era para você ter se formado também, se não fosse o ataque cardíaco no jogo de vôlei. Bom, desde então eu continuei praticamente o mesmo. Minhas experiências profissionais pararam em 2013. Eu não sei explicar 2013-2023. Não é uma década perdida, eu só não sei identificar a sabedoria escondida ali naqueles dez anos. Os meus sete anos de Thorstein Veblen viraram dez anos aldrinianos.

 

Eu sou mesmo uma marmota. E como eu tenho medo! Medo de altura, medo de dirigir (apesar de saber dirigir uma locomotiva a vapor, mas essa história conto em outra ocasião), medo da violência, medo de virar adulto e medo de intimidade. A se acreditar naquele teste de psicologia on line e mesmo numa olhada para minha vida pregressa, o meu medo de intimidade é mesmo o central. Eu devo ter o ego mais frágil do mundo ou o mais forte, não sei se faz diferença isso; não tenho intimidade com a escola de pensamento psicanalítico. O que fazer? Olha só, só reclamei, só dei voltas em mim mesmo nesta primeira vez que converso contigo. Ah, ego meu! Mas é só a primeira carta.