domingo, 16 de maio de 2021

O Rio é Poderoso

 O Rio é Poderoso

Eu já me defini como um astronauta perdido e isso é verdade mesmo, mas também sou um pescador de borboletas que só eu vejo. Foi coincidência, mas foi tão tão coincidência e tão bonito e como envolve Amor… Bom, talvez não seja uma borboleta.

No dia 14 de maio, sexta-feira, eu estava preparando uma lista de endereços de sites para consultar regularmente em busca de informações. Portais, jornais, revistas, etc. Sou formado em jornalismo, afinal de contas. 60% era atualizar uma lista que eu tinha feito em meu primeiro blog, ainda em 2006. Apressado e desorganizado, antes de desligar a internet eu abri um texto do New York Times sobre a morte do meu amado Will Durant. Mas não li, não deu tempo. Teria que traduzi-lo com o “Bing Tradutor” e tal; não deu tempo. No dia seguinte, também desorganizado e apressado, escrevi o texto para ser publicado aqui. Usei a imagem simbólica de um rio, para falar da condição humana. Bom bom, quando fui ler o obituário do New York Times a respeito do meu amado Will Durant descubro que ele também usou a imagem de um rio pelo mesmo motivo em um texto belíssimo. O sentido da vida e a caminhada da história.

Que coisa bonita realmente. Mais mais um motivo para eu continuar amando o meu Will. A imagem do rio também foi usada pela minha primeira paixão intelectual, Bertrand Russell; em outro texto bonito sobre o sentido da vida. Além do filme que eu citei no texto anterior.

É muito rio. Se bobear a imagem do rio deve ser popular nas religiões do extremo oriente.
É muito rio. Deve ser verdade mesmo.

sábado, 15 de maio de 2021

Futuro sem Partido

Futuro sem Partido
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.
(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)

"De hora em hora, Deus melhora."

Mais otimismo por aqui? Repare que você e eu estamos em uma manhã no Brasil do dia 15 de maio de 2021!
E Deus poderia agir de outra forma e nós poderíamos acreditar em outro destino? Se o rio da existência (a metáfora aqui vem de “Sidarta”, do Hermann Hesse e do filme “Contato” [ “Contact”, Jodie Foster, Carl Sagan, 1997, Robert Zemeckis, James V. Hart, Michael Goldenberg, Ann Druyan, David Morse e etc.]) é onde nos vivemos, cabe a nós em última análise navegar por ele da melhor maneira possível. E o “como” é a receita conhecida e difícil: nos amar, amar aos outros e confiança e força diante do futuro a ser construído. E como também é conhecido evitar que o pessimismo da razão vença o otimismo da vontade. A incerteza do futuro não tem partido.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Fazendo um Espelho

 Fazendo um Espelho


Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Como cada um se estima, assim o estimam."

Isso parece muito otimista para você, leitora ou leitor? Provavelmente sim, mas há aqui um detalhe: constância e inconstância. Não podemos mesmo muito manipular a nossa imagem pública, mas podemos ser constante na consideração saudável e confiante que temos a respeito de nós mesmos. E isso é mais decisivo do que o medo e a ansiedade nos fazem acreditar. Inconstante, a fofoca a nosso respeito pode ficar positiva e coincidir com a nossa autoestima já constantemente positiva. Aí temos uma festa.
Bom, de qualquer forma ficar se achando um miserável não adianta muito mesmo. É melhor ter uma boa auto imagem e agir coerentemente.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

O Lugar do Coração

 O Lugar do Coração


Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Bom coração quebranta má ventura."

Um encontro realmente surpreendente. A fé mais pura encontrando-se com o pragmatismo mais rude: o que é o coração bondoso, o coração de nosso coração, senão o escudo e arma derradeira diante do mundo? O último recurso, justamente a arma mais poderosa! É quando, na hora, fechamos os olhos, cerramos os dentes e esperamos. Mesmo a pessoa mais cruel e dissimulada em alguma coisa se apoia.
E a sabedoria da raposa (Maquiavel, sabedoria animal da psicanálise, dor, o que aprendemos com a arte…) é, por outro lado, para ser usada diariamente, no cotidiano, está sempre à mão, decorada, usada automaticamente… E assim caminha a humanidade… E não é assim? Bom… Dizem que no mundo há mais bondade do que justiça (Kant segundo o meu amado Will Durant) porque há primeira consegue ser mais espontânea, enquanto a segunda exige muito muito de nós. Talvez se o coração não estivesse tão profundamente enterrado no peito.

É bom julgar um livro quando isso é justo: conteúdo e forma, ainda na atmosfera da filosofia de Susanne K. Langer: pois a aparência desta edição de “Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, combina perfeitamente com o seu conteúdo. Mas não sei se vou conseguir explicar-me. Sabedoria brasileira; coisas que são ditas e ensinadas há séculos, um aprendizado do interior da África ou do oriente e que depois é escutada no sertão de Sergipe ou Paraná ou a noite antes de dormir pela voz carinhosa de nossa mãe… Bom, bom, o livro se parece com isso tudo. A edição é de 1987, mas parece ser mais antiga. Não é capa dura e não consigo ver na encadernação a goma arábica. Aliás, nem sei como as páginas continuam juntas! A capa e contracapa, na verdade a aparência toda, é séria, sóbria e de um formalismo cru. Os artistas Poty e Aldemir Martins nos transportam para o nordeste brasileiro com apensa um, dois traços. Decididamente não é fácil fazer isso. Não é todo desenho da Muralha da China nos coloca lá dentro, você me entende? As letras pequenas e o peso do livro e suas mais de 400 páginas; tudo tudo combina. Até o cheiro de livro velho, ah o cheirinho de livro velho... Tudo combina com o conteúdo! É maravilhoso.