quarta-feira, 19 de maio de 2021

Grades Enfeitadas

 Grades Enfeitadas

“Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Gaiola bonita não dá 
de comer a canário."
Cuidado com as aparências. Cuidado com aquela oferta de emprego, pois parece boa demais… Cuidado com aquele convite, pois parece bom demais… Cuidado com aquele contrato, pois parece bom demais… Existe o dia seguinte. Cuidado com aquele discurso, pois parece bom demais para não ignorar os interesses envolvidos… Cuidado com as aparências.
Lembra também um pouco a fábula “O cão de raça e o vira-lata”, registrada e popularizada pelo La Fontaine (se não me engano). O vira-lata vivia nas ruas e tinha pouca comida, mas, pelo menos, era livre. A gaiola é bonita, mas uma gaiola é uma gaiola e o detalhe importante para você foi o enfeite… na grade?

Entre vários motivos para explicar o porque as ideias da escola de pensamento político socialista tiveram melhor recepção na Europa do que nos Estados Unidos, um dos motivos mais interessantes apontados é que o trabalhador “de chão de fábrica” estadunidense não se sentia próximo de seu irmão europeu quanto ao seu fado. Seu pai era estivador e ele era um estivador, mas ele podia torna-se dono de uma frota de navios pesqueiros. Ele podia acreditar nisso, ele acreditava nisso. Na Europa o trabalhador tinha mais dificuldade de sonhar assim. E o Brasil? Num país liberal e pobre, o trabalhador humilde tem um destino aberto? Me parece que estamos mais próximos da Europa nesse sentido. E a nossa gaiola nem chega a ser bonita, dada a falta de trilhos de trem, portos, educação pública de qualidade, cobertura de rede de esgoto… É angustiante não poder discutir o papel do Estado diante de um cidadão livre, porque estamos discutindo como em 2021 uma estrada asfaltada é destruída na primeira chuva forte que ela enfrenta.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Voltar a Existir

 Voltar a Existir

“Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.
(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Fala pouco e bem, ter-te-ão por alguém."

É pura prudência com aquele tradicional tempero de amargura. Tanto quanto o “falem bem”, temos “não fale demais...”.
E qual é mesmo o problema de falar demais? Um pouco de contemporaneidade para a nossa conversa, querida leitora e querido leitor. Assisti alguns minutos do Ernesto, ex-chanceler, na “CPI da Covid”. Mais ou menos isso: “eu não disse o que eu disse, não foi bem assim; não prejudicou nossas relações com o nosso principal parceiro comercial a China”. Ah…
Quando criança ouvimos de nossa mãe que “um ato vale mais do que mil palavras”. Isso é verdade, mas a palavra é outra forma importante de conhecer alguém. Pelo seu discurso, conheço um pouco de você. Em 2021, e já faz alguns anos, é lamentado que as pessoas não escutam. Com toda a tecnologia disponível, mesmo com toda tecnologia disponível, o diálogo é pobre. Todo mundo preso em sua “bolha”. Então todo mundo parece igual para todo mundo, igual a um vazio. Um vazio que decepciona.
Pedir para todo mundo voltar a falar e ouvir, para todo m
undo voltar a existir; como ensinava uma das doutrinas humanistas do renascimento. Por meio de palavras sinceras organizar o caos. E, antes de encerrar por hoje, lembrar do Francis Bacon e a sua teoria dos ídolos; o uso inadequado das palavras foi justamente nomeado como ídolo mais incômodo dos quatro que haviam. Vamos saber dialogar.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Você não precisa

Você não precisa


“Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.
(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


 "Estrada aberta é caminho."

Quanto que é 60 vezes 60? 3600? A cada minuto temos 3600 estradas abertas diante de nós. 3600 oportunidades para mudar de ideia. 3600 chances de tornar-nos inesquecíveis/imortais.
Quando li “Walden ou Vida nos Bosques”, do Henry Davi Thoreau; - uma leitura realmente pesada -; essa foi a lição mais inesquecível. A lição que se alguém perguntasse sobre o livro é o que eu citaria. Cada instante é a hora de uma mudança de direção. Você não precisa apaixonar-se, receber uma notícia dramática de um médico, encontrar-se com uma sarça em chamas ou ganhar na loteria.

domingo, 16 de maio de 2021

O Rio é Poderoso

 O Rio é Poderoso

Eu já me defini como um astronauta perdido e isso é verdade mesmo, mas também sou um pescador de borboletas que só eu vejo. Foi coincidência, mas foi tão tão coincidência e tão bonito e como envolve Amor… Bom, talvez não seja uma borboleta.

No dia 14 de maio, sexta-feira, eu estava preparando uma lista de endereços de sites para consultar regularmente em busca de informações. Portais, jornais, revistas, etc. Sou formado em jornalismo, afinal de contas. 60% era atualizar uma lista que eu tinha feito em meu primeiro blog, ainda em 2006. Apressado e desorganizado, antes de desligar a internet eu abri um texto do New York Times sobre a morte do meu amado Will Durant. Mas não li, não deu tempo. Teria que traduzi-lo com o “Bing Tradutor” e tal; não deu tempo. No dia seguinte, também desorganizado e apressado, escrevi o texto para ser publicado aqui. Usei a imagem simbólica de um rio, para falar da condição humana. Bom bom, quando fui ler o obituário do New York Times a respeito do meu amado Will Durant descubro que ele também usou a imagem de um rio pelo mesmo motivo em um texto belíssimo. O sentido da vida e a caminhada da história.

Que coisa bonita realmente. Mais mais um motivo para eu continuar amando o meu Will. A imagem do rio também foi usada pela minha primeira paixão intelectual, Bertrand Russell; em outro texto bonito sobre o sentido da vida. Além do filme que eu citei no texto anterior.

É muito rio. Se bobear a imagem do rio deve ser popular nas religiões do extremo oriente.
É muito rio. Deve ser verdade mesmo.