segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

27 de dezembro de 2021

 

27 de dezembro de 2021


Bom dia.


Dos meus quatro, só sobrou ela. A vovó materna, do lado materno. E ela é, do ponto de vista saudável e nem tanto, uma verdadeira matriarca. Ela está ruim. Ruim como nunca antes. Minha mãe está desesperada, o que para os padrões normais dela é muito. Isso é muito mesmo. Acreditem em mim.


Sou desorganizado, sempre fui. Uma coisa curiosa em ser desorganizado é que isso faz, entre muitas outras coisas, você querer que seu quarto fique maior que o universo infinito. Porque eu fico espalhando as coisas. Uma bagunça.

Eu dei de presente, há muitos e muitos anos atrás, para a empregada doméstica de minha vovó paterna o livro “A gangue e o 5S” (Wagner Matias de Andrade) {{{1}}}. Eu desorganizado, tentei ajudar a filha da Senhora Maria. {{{2}}} É que ela me contou que a filha tinha acabado de entrar em alguma faculdade. Uma nova fase de sua vida.

Foi na época que eu passava a semana na casa de meus avós paternos por causa dos meus estudos na faculdade de jornalismo (2002-2006). Depois o casal ficou encantado, a casa foi vendida, uma ferida entre irmãos surgiu e não cicatrizou completamente e etc. Não sei como a Senhora Maria e sua filha estão hoje (2021).

Eu gostava de conversar com essa Senhora Maria. Eu contei uma das histórias que minha mãe me contava quando criança. A história do padre e do gato mortal. Era uma vez um gato trancado muito muuuuito tempo numa sala, aí o pobre padre foi abrir a sala e o gato furioso foi direto no pescoço… Bom, não é que a Senhora Maria conhecia a história?! Pela primeira vez em minha vida alguém conhecia esta história!!!! Essa história deve ser verdadeira, afinal! Outra coisa que a Senhora Maria me contou é que quando eu casar vai chover muito, pois eu tenho o costume de comer na panela em vez de prato. É que sempre fui esfomeado e se tiver panela com farofa então… Em se acreditar na Senhora Maria, quando eu casar teremos um dilúvio porque até hoje eu costumo pegar uma das panelas e servir o almoço ou janta nela mesmo…

Mas onde eu estava?


Ah sim, uma nota natalina e triste. O Natal foi na casa de uma tia paterna. E vi, no sábado dia 25 de dezembro de 2021, algo que eu não via há muitos e muitos anos: uma edição impressa do jornal Estado de Minas. Fiquei chocado. Completamente magro, tinha nada. Minha tia: “esse jornal vai acabar morrendo”. Sou medroso e paranoico dado a exageros poéticos, mas assim como o Francisco Kafka vocês também podem confiar em mim. Eu realmente fiquei chocado e tinha motivo para ficar chocado.

- Mas você não achava e acha medíocre o que lê na página deles na internet?

- Sim, mas… Quer dizer, a versão imprensa é nobre… Internet é para apressados…

- Internet é coisa séria há bastante tempo, mon ami… Um paralelo inquestionável…

- Mas… Caramba… Eu realmente fiquei assustado com o tamanho daquela edição…

E os outros jornais? Vou olhar isso quando for a Belo Horizonte. Porque aqui em Rio Acima não há bancas de jornal e revista. Hum…

- Parabéns, Sherlock…



Lúcio Flávio Pinto

https://lucioflaviopinto.wordpress.com/

https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2021/12/27/memoria-bastidores-do-conflito-de-santarem/

Em um local distante, ou nem tanto, aquilo que seria o futuro sombrio para o Brasil daqui há alguns dias acaba se revelando mais cedo. É uma lição: prestar a atenção no poder central em atuação em lugares distantes…



Jornal Estado de Minas

https://www.em.com.br/

Destaques da primeira página: congestionamento nas estradas, governador reclamando que não tem dinheiro e o filhote de gorila que morreu em um acidente. Na listinha ao lado onde estão notícias mais acessadas, temos como destaque notícias sobre Covid-19. Agora vamos para a parte cultural.

Destaques da página cultural: a saúde do Caetano Veloso e a briga entre dois funcionários da Rede Globo de Televisão. E na listinha ao lado onde estão notícias mais acessadas temos próximo do primeiro lugar o horóscopo do dia. Eu prefiro destacar a compositora e cantora Josy.Anne. Estrela nova querendo brilhar. Tomara que consiga. Outra estrela nova querendo brilhar é a Clarissa Menicucci. Mas aqui não é música, é literatura.

Pausa.

Tinha dúvida, vou ter que conferir. Por favor, esperem um pouco. Vou espiar na sala. Ah, minha mãe até fechou um pouco a porta. Minha mãe está conversando com uma de suas irmãs. Ela não está chorando.

Voltamos.

O nome do livro da Clarissa é Contos de fuga.

Agora mais mulheres. Mas desta vez são estrelas que já brilham. Não há muito tempo, é verdade; mas já brilham. Eu não sabia da existência delas porque o céu delas não é frequentado por mim: duas violoncelistas chamadas Ana Paula Rocha e Talitha Marinho.

Na verdade eu já assisti a um concerto de música de câmara. Foi no Palácio das Artes em Belo Horizonte há muitos anos atrás. Acho que durante a época da faculdade. Hum, acho que preciso voltar a estudar… Onde eu estava? É que ia tocar músicas do Gaetano Donizetti e eu estava obcecado pela versão deAbertura” de Don Pasquale feita pelo argentino Waldo de los Rios. Descontando a minha mente e sensibilidade sui generis, quantas quantas quantas quantas vezes eu coloquei aquele LP para tocar esta música em sequência? Não sei como a agulha não furou o disco. Milagre! Por Júpiter! Pelo sorriso da Kalki Koechlin!

Mas onde eu estava? Vou seguir aquela lista de sites que eu fiz. Eu acho que ainda estou no Mato Grosso do Sul.


Jornal A Crítica (de Campo Grande)

https://www.acritica.net/

Destaques da primeira página: Anvisa, Campo Grande é uma cidade com muitas mulheres trabalhando como empregadas domésticas, Covid-19, ataque hacker contra o Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) e um desentendimento entre o banco Bradesco e o Sindicato Rural de São Gabriel do Oeste (líder ruralista chamando propaganda ecológica de “mentirosa” e pedindo boicote contra o banco; o trem ali foi feio e o Bradesco cedeu em pouco tempo).

Pausa.

Leitora e leitor, essa última notícia é interessante. Se eu fosse um autor mais experiente eu conseguiria fazer uma interpretação sobre o que é o Brasil a partir dela.

Agora vamos para a parte cultural.

https://www.acritica.net/editorias/cultura/

Renascimentos: sítio arqueológico de Unaí e a cidade criada por Henry Ford na Amazônia vai virar museu. E Campos do Jordão vai ter o seu primeiro festival de verão. Já o governador da Bahia anda receoso quanto ao carnaval ano que vem. Morre o artista que criou o personagem He-Man e… E… Pausa: cadê as notícias culturais sobre Mato Grosso do Sul?



Notas

{{{1}}} Uma vez conversei rapidamente com o Wagner Matias de Andrade no Facebook. Chique, não é? O trem foi breve. Ele foi simpático. Tudo de bom para ele! Acho que você pode gostar do site: https://solucoes-criativas.com.br/author/wagner5s/


{{{2}}} – A senhora acha que…

- “Senhora” não! Que senhora tá no céu!…

Meus tempos de repórter na faculdade de jornalismo…

Ocorre que não gosto de “dona Maria” e “seu João”. Você falaria/trataria assim diante uma pessoa rica? Não. É “senhora” e “senhor” para todo mundo. É educado. É educado. É educado. É educado.

- Mas e se a pessoa…

- Não!

- Caramba…

- …

- Sabemos conversar…

- Cala a boca, Freud!

- Isso é marxismo cultural…

- Já falei para calar a boca, Freud!

domingo, 26 de dezembro de 2021

Quem não tem Beto, caça com Norberto

 O sul da Bahia ainda está sofrendo muito. Mortes, casas destruídas. Dependendo do referencial, podemos dizer que em dias choveu o que se costumava chover em um ano!
Desmond Tutu ficou encantado e agora todos estão lamentando o que aconteceu. Mas também estão lembrando o seu exemplo e suas palavras sobre perdão.




Nem terminei de ler os livros que comprei pela internet, mas já visito o mesmo site sonhando com outros livros e livros... E autores.

De repente ocorreu-me o nome do guru do Diogo Mainardi: o Norberto Bobbio {{{1}}}. Bobbio é um dos autores mais respeitados da teoria política. Nome obrigatório. Um esquerdista tão inteligente que os direitistas brasileiros nem ousam citar o seu nome para dizer, por exemplo, que ele "está ultrapassado e vamos mudar de assunto e sair de fininho e blábláblá...". Por outro lado, também não vejo muitos esquerdistas citando ele... Mas deixa pra lá... Onde eu estava?
Um dos livros do Bobbio que eu encontrei foi "Nem com Marx, nem contra Marx". Uma antologia de textos do Bobbio sobre Marx organizado pelo Carlo Violi
Ai me lembrei que "Marxism, For and Against" (1983), do Robert L. Heilbroner nunca foi traduzido para o português. Robert, para quem não sabe, escreveu um clássico da divulgação científica "The Wordly Philosophers". Uma sereia para dezenas e dezenas de corações valentes que resolveram estudar economia por causa do livro. No Brasil o livro recebeu o título de "A história do pensamento econômico" e teve tradução de Therezinha M. Deutsch e Sylvio Deutsch. E consultoria do Paulo Sandroni.

Pausa.

Eu já li vi essa “Therezinha M. Deutsch em algum outro livro por aí... Ela deve ser uma tradutora importante. Eu acho até que o fato dela assinar como “Therezinha” é indicativo de seu talento. Sei lá, acho que em se tratando de algo tão formal-acadêmico-sério como é a arte da tradução; se alguém usa nome do diminutivo deve ser porque tem muita fé na própria estrela. Ou talvez ela seja exclusivamente uma pessoa legal que pode ser chamada de “Therezinha” sem problema.


Mas onde eu estava?
A editora é a Abril Cultural e minha edição é de 1996. Parte da coleção Os Economistas. Uma coleção, assim como a coleção Os Pensadores, bastante consagrada mas sem tantas reedições.
Pausa.
No Brasil tivemos e temos mais reedições de Os Pensadores do que Os Economistas. Talvez isso signifique alguma coisa, Maria da Conceição Tavares e Freud... Não estabilizamos, crescemos aos solavancos e a parte da distribuição ó… Os alunos de economia, além de sensibilidade, precisam ler mais os clássicos da economia.
Mas onde eu estava?


Oh, sim! Quem não tem Robert, ou Roberto, ou Beto; entende Marx com Norberto.

{{{1}}} Eu colecionava artigos do Diogo Mainardi para a Revista Veja. De 1999 até 2002, ano em que entrei para a faculdade de jornalismo e o ano em que Lula foi eleito presidente pela primeira vez. Em retrospectiva, é irônico que eu não tenha acompanhado de perto quando justamente Diogo Mainardi tenha ficado tão famoso e poderoso. De qualquer forma, nem sei se ele mantém a mesma opinião, mas lembro bem um dia ele sugerir o Bobbio como guru para as leitoras e leitores dele.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Um desejo e um filme

Desejo a todos um feliz Natal. Daqui a pouco é 2022, então desejo também um feliz ano novo.


Assisti a um filme muito bom recentemente, fazia tempo que eu não assistia a um filme muito bom. “Mr. Jones” (Mr. Jones, 1993, Lena Olin, Richard Gere, Eric Roth, Michael Cristofer, Mije Figgis e equipe.). O final é feliz, pois o Amor vence. Uma notinha: um dos atores é o Tom Irwin e agora na hora de buscar dados técnicos do filme no portal IMDB, descubro a sua foto de perfil lá. (risos) A foto é ótima: ele fazendo a barba ao mesmo tempo em que parece que ele está sendo atingido pela beleza de alguma música muito muito muito muuuuito especial.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

17 de dezembro de 2021

Dormir mais cedo para conseguir ler na cama. Ler na cama é um prazer. Ler é sempre conhecer alguém, conhecer um universo e também viajar por meio de um tapete voador em uma noite árabe. Fazer isso durante o dia é bom, mas fazer isso debaixo do corredor à noitinha é um pouquinho mais especial.