sábado, 10 de dezembro de 2022

William James 14 de 36

William James 14 de 36


Vários tipos de conhecimento, os caminhos são vários. Mas aqui William James vai fazer uma distinção meio ambígua e não muito científica: politicamente, de maneira equânime, ele vai dizer que é absurdo a afirmação que uma mente analítica seja superior a uma mente intuitiva; mas a primeira é superior. (risos) Li um trecho semelhante em Voltaire. É melhor estudar, saber que se é infeliz; ou ser feliz sem saber é melhor? William James e Voltaire parecem nos dizer que saber que se é infeliz é melhor, é melhor saber sempre. Analisar. Por outro lado, analisar demais gera paralisia e angústia. E no mundo atual, 2022, o que não falta é angústia e paralisia diante de tanta informação e estímulos aos sentidos. Em grande parte do mundo ocidental estamos quase como naquelas ruas em que Rick Deckard, o detetive do filme “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (Blade Runner, 1982, Sean Young, Ridley Scott, Philip K. Dick, David Webb Peoples, Hampton Fancher, Brion James e etc.) vivia.



Livremente inspirado em “William James e a Psicologia da Consciência”, capítulo 6 de Teorias da Personalidade, livro de James Fadiman e Robert Frager (Traduções de Camila Pedral Sampaio e Sybil Safdié; com a coordenação de Odette de Godoy Pinheiro, 1979, São Paulo, Editora: Harbra Editora Harper & Row do Brasil Ltda).


Lembrando que começo com William James e Alfred Adler por causa do meu amado Will Durant (Filosofia da Vida e Os Grandes Pensadores).


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Pernambuco, 9 de dezembro de 2022

 

Pernambuco, 9 de dezembro de 2022



NORDESTE

Pernambuco

https://www.pe.gov.br/ Site do Governo de Pernambuco


Claro, branco, azul; muito bonito. Demorou muito para “carregar”, não sei se é culpa do site ou de minha conexão com a rede mundial de computadores.


Se na Paraíba os dinamarqueses estão investindo em energia eólica, em Pernambuco são os espanhóis (Enerfín) interessados em investir em energia (no caso, a energia solar).

Outra notícia que me chamou a atenção foi a ampliação de escolas de tempo integral. Elas são muitas no Estado. Acho que isso é uma boa notícia.

A área cultural do site é meio pobrezinha, mas gostei de saber da intenção de criar o Memorial da Democracia. Vai ser em um lugar especial, o Sítio da Trindade. O local vai abrigar diversos documentos sobre “as lutas libertárias” ocorridas no Estado de Pernambuco. Bonito, bonito. Importante lembrar de elogiar a democracia e a memória das mulheres e homens que a defenderam.

Uma notinha. Eu não quero terminar assim meio magoado com o site do Governo do Estado de Pernambuco. Ele demorou muito para abrir, mas ele, pelo menos, tem acessibilidade e tem uma coisa rara: um trem que ainda não vi em nenhum site institucional. A constituição do Estado! Trem chique. É só clicar aqui: https://www.pe.gov.br/constituicao .

Agora vamos para um órgão de notícias.


https://www.folhape.com.br/ Folha de Pernambuco

É um site simples, mas com muita muita informação. Tem talvez muito espaço em branco entre as seções, mas gostei e não julgo isso um erro da diagramação. Ficou muito bom. Gostei.

Destaque da página é o investimento milionário do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) na “indústria 4.0”.

Copa do Mundo, ministério do Governo Lula e no interior de São Paulo um vereador joga um frasco de álcool em gel contra um colega.

Começa a “26a. Edição do Cine Pernambuco”, no Teatro do Parque e Cinema São Luiz (tudo na capital Recife). Aqui o parabéns pelo esforço na área cultural e o site oficial do evento: https://festivalcinepe.com.br/. Me interessei por dois curtas: “Contos de Amor e Crime” (Natali Assunção, Memorial em Chamas, Marina Branco e etc.) e “Andrômeda” (Bruna Martini, Lucas Gesser, Levante Filmes e etc.).

Mudanças nos rótulos de alimentos completam dois meses e vale a pena conhecer alguns detalhes técnicos. 8 e 15 gramas de açúcar? É ruim. Na gordura saturada os valores perigosos são 3 e 6 gramas. 300 e 600 mg de sódio é que são os valores perigosos. É interessante observar aqui que a diferença de valores se refere, respectivamente, quando o alimento sólido e quando o alimento é líquido. Outra mudança é na padronização na hora de informar os valores nutricionais, pois agora a referência é padrão é 100 gramas do alimento. Antes não havia padrão e os consumidores tinham muito mais dificuldade em comparar para saber qual produto era mais saudável. Há também padronização da tabela com as informações técnicas, para facilitar a leitura. Outra padronização é na informação quanto aos valores diários por porção, muito útil para quem está seguindo alguma dieta especial. Há multas e outras punições para quem não seguir a lei, mas estamos no Brasil vamos mudar de reportagem porque não quero ficar de mau humor.

Já aconteceu, foi no dia 4 de dezembro de 2022, mas precisa ser contado porque foi bonito. As ruas de Recife assistiram a um desfile valioso: a sexta edição da Corrida Inclusiva da Aliança das Mães e Famílias Raras (AMAR). Para você AMAR mais: https://pt-br.facebook.com/AmarAliancadeMaeseFamiliasRaras/ e https://www.instagram.com/amaralianca/.

O Caminho do Eduardo

 

O Caminho do Eduardo


No final de sua História do Brasil (1997, Folha da Manhã e Zero Hora/RBS Jornal. Segunda edição.), Eduardo Bueno dá muitas indicações valiosas de leitura. É um verdadeiro tesouro este final de livro, esta bibliografia crítica. Segue uma seleção minha. Ah, que lista de desejos…!


Comecemos pelo começo, pela visão geral: os nossos dois grandes historiadores: Capistrano de Abreu e Sérgio Buarque de Holanda. Interessante em Capistrano é que não podemos ficar nos seus três livros “prontos” (Descobrimento do Brasil, Caminhos Antigos e Povoação do Brasil e Capítulos de História Colonial), mas também temos que procurar volumes que reúnam parte de suas cartas. É, cartas. Não sei onde li, mas uma vez saí por aí pela internet à procura de Capistrano de Abreu e descobri que ele escrevia cartas demais e isso até prejudicou ele que era desorganizado e assim ficou sem conseguir escrever a sua História Geral do Brasil. Ele sofria de “febre de cartas”, coisa comum na belle époque. Acho que hoje, 2022, Capistrano de Abreu ficaria viciado em redes sociais de internet sempre querendo chamar a atenção pelos seus comentários. Já o Sérgio Buarque de Holanda o caminho é reto: Raízes do Brasil, Caminhos e Fronteiras, Monções e Visão do Paraíso.

Agora dois nomes interessantes: José Honório Rodrigues e Francisco Iglesias (não é meu parente). Estes dois merecem uma olhada também.


Agora o trem fica mais pessoal. Do enigma brasileiro, os três temas para mim mais especiais: índios, negros e a república.

História dos Índios do Brasil – Organizado pela Manuela C. Da Cunha.

O Escravagismo Colonial – Jacob Gorender.

A Escravidão no BrasilPerdigão Malheiro.

Fluxo e Refluxo do Tráfico de Escravos entre o Golfo do Benin e a BahiaPierre Verger.

A Abolição do Tráfico de Escravos no BrasilLeslie Bethell.

Os Últimos Anos da Escravatura no BrasilRobert Conrad.

Abolição da EscravidãoSuely R. Reis de Queiroz.

O Tigre da AboliçãoOsvaldo Orico.

O Precursor do Abolicionismo no BrasilSud Menucci.

A Escravidão ReabilitadaJacob Gorender.

Os Republicanos Paulistas e a AboliçãoJosé Maria dos Santos.

Dialética da ColonizaçãoAlfredo Bosi.

Os Militares e a RepúblicaCelso Castro.

Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que Não FoiJosé Murilo de Carvalho.

O Exército na PolíticaJohn Schultz.

Relações entre Civis e Militares no Brasil (1889-1898)June Hahner.

Baile da Ilha FiscalJosué Montello.


Eu sonho e vocês compram esses livros todos para mim!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Lula e Alckmin em 2006

 

Lula e Alckmin em 2006


São dois artigos do tempo em que eles eram adversários políticos disputando a presidência do Brasil. Lula querendo ser reeleito e Geraldo Alckmin querendo ser presidente pela primeira vez. Bom, de certa forma Alckmin será presidente porque o Governo Lula só terá sucesso se não for Governo Lula e sim Governo da Frente Ampla. Com Alckmin, Tebet, Lira e outros (Superior Tribunal Federal também?) trabalhando e aparecendo muito mais do que aconteceria em um governo “normal”. Ou alguém acha que a rejeição Lula-PT diminuiu e diminuirá? Teremos um parlamentarismo como em países “normais”? Ou continuaremos com o atual parlamentarismo à brasileira, com suas crises consoladas com o vil metal e oxigênio para inflar egos?


Os dois artigos assinados por Lula e Alckmin foram publicados lado a lado e o desenho do artista plástico Marco Gianotti também ajuda neste clima de respeito mútuo. A propósito, eu apostaria que Marco inspirou-se ou mesmo desenhou em cima de alguma fotografia em que Alckmin e Lula cumprimenta-se. A propósito: Folha de S. Paulo, 29 de outubro de 2006.


Selecionei um trecho de cada artigo. Assim assim, como documento histórico o trem todo não tem graaaande valor. Mas podemos espremer essa pequena laranja aqui na forma de alguns comentários que tentarão ser inteligentes. Vamos lá.



O Brasil chega ao final de 2006 como o país menos desigual dos últimos 25 anos. 7 milhões de cidadãos venceram a linha da pobreza. O poder de compra do salário-mínimo aumentou 26% em termos reais, desde 2003.

(“A esperança renovada”, artigo de Luiz Inácio Lula da Silva.)

Então tudo bem, mas são números e é a economia. Então hoje, 2022, isso significa tanto quanto no dia que os leitores leram o artigo. Menos do que deveria. Ah, tudo bem; exagerei um pouco. Mas a roda da economia é impiedosa.

Crescimento econômico exige planejamento, ação, trabalho sério. Não vou cair nas discussões estéreis. Crescimento ou estabilidade é um falso dilema. O Brasil precisa dos dois. Crescimento sem estabilidade é fraude. Não existe. Estabilidade sem crescimento é perversão. Não deveria existir.

Os maiores entraves ao nosso desenvolvimento são conhecidos: carga tributária demais, investimento de menos e um Estado ineficiente no cumprimento de suas funções básicas.

(“Muitos Brasis e um só desejo”, artigo de Geraldo Alckmin.)

Este trecho é mais gostoso de comentar, por ser mais amplo e filosófico. Divagar e divagar sempre. Vago, mas também por causa da nossa covardia que não valoriza as palavras quando estas saem do coração e vão para a boca pelo caminho do Amor. Mas onde eu estava? Esse trem de crescimento e estabilidade ficou muito bom, mas precisa de um tempero picante. E vermelho. Precisamos de você, Maria da Conceição Tavares.

Uma economia que diz que precisa primeiro estabilizar, depois crescer e depois distribuir; é uma falácia. E tem sido uma falácia. Nem estabiliza, cresce aos solavancos e não distribui. E esta é a história da economia brasileira desde o pós-guerra (1945). Ou não é?

(Trecho da entrevista da professora, economista, escritora e política Maria da Conceição Tavares ao programa Roda Viva; da TV Cultura. Inteligente, raciocínio rápido, oratória, idealista; trechos desta sua entrevista tornaram-se um fenômeno cultural no site YouTube.)

E? E nem sei o que comentar. Crescer com estabilidade, sem esquecer de distribuir durante o processo. Quando criança eu assistia aos telejornais ao lado de meus pais e achava uma coisa muito curiosa: o governo tendo… problemas. “Uai”, eu infantilmente pensava, “não basta o presidente e a equipe dele querer que uma coisa aconteça para ela acontecer?”. Mas é mesmo curioso isso na economia: os economistas, todos inteligentes e de boa-fé, se reúnem durante horas semanas meses e… o plano dá errado do mesmo jeito.