sexta-feira, 5 de março de 2021

5 de maio de 2021 e 2010 e o futuro


 Franklin e uma amiga. Franklin é artesão e o mundo dos gnomos pode ser conhecido por nós graças às suas mãos habilidosas. A família de Franklin é conhecida da minha; e o encontro aconteceu na grande Feira de Artesanato do ExpoMinas de 2010. Belo Horizonte, 2010.

Desculpem a minha ausência, sei que a principal regra dos blogs é a atualização diária; mas é difícil. Regularidade para mim é difícil. Mas pelo menos montei uma sequência de leituras que acredito que vai ser interessante para mim e vocês.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Belo porque queremos

 

É só uma nuvem e um poste com a luz acesa de dia, mas eu gosto. Eu gosto desta fotografia. Não, não adianta chamar o Alfred Adler, o William James, o Jurandir Freire Costa. Ninguém explica porque eu gosto tanto desta fotografia. Rio Acima, 2010.


MEU ARQUIVO DE MATERIAL JORNALÍSTICO: VEREDAS 5

- Um pouco de história. Começou com o meu pai, professor de geografia e história. Ele costumava guardar recortes de jornais e revistas. Além disso ele e eu gravávamos vários programas de televisão em fitas VHS: filmes de arte por causa de suas histórias, filmes ruins por causa de seus efeitos especiais, vídeos engraçados do "Domingão do Faustão", reportagens, documentários como “Xingu primeira série” (1985) e "Holocausto A Saga da Família Weiss" (1979, mas a TV Manchete passou mais tarde) e etc. Em 1998 o videocassete já estava estragado e as fitas abandonadas. Meu pai se afastou do magistério em meados de 2005, mas os recortes e revistas e jornais antigos foram abandonados muito muito antes. Mas minha memória fazia o antigo prazer de guardar pedaços da história humana ainda pulsar e, quando entrei na faculdade para estudar jornalismo; cismei que montar um arquivo de material jornalístico poderia ajudar-me a fazer o meu jornal.

Acabei juntando alguma coisa. Querem conhecer? Vamos lá.


8 - Cartoon de Oldack Esteves ironizando o carnaval tedioso de Belo Horizonte (Jornal Estado de Minas do dia 3 de fevereiro de 2008).

Achei o desenho interessante na época, então recortei-o e guardei no meu arquivo como um testemunho cultural.

Pouco tempo depois o carnaval de Belo Horizonte renasceu e virou notícia no Brasil inteiro, com um batuque e uma alegria que era sentida do Rio de Janeiro a Recife! Nada acontecesse por acaso exige a nossa vaidade tão humana: acho que o carnaval de Belo Horizonte renasceu por minha causa e do Oldack. Isso não parece óbvio a você? Obrigado, sou bastante humilde e escrevo mesmo para leitoras e leitores sinceros.


9 - "Blitz da beleza homenageia as mamães de BH na praça Sete" (JornalO Tempo” do dia onze de maio de 2006.)

A reportagem da Magali Simone é curtinha e simples, o mesmo acontece com a fotografia realizada por Élcio Paraíso que a ilustra; mostrando a troca doce de olhar e sorriso entre a modelo sofisticada e a mulher simples que por acaso estava passeando ali na rua na hora. Para piorar, o meu descuido e o tempo prejudicaram bem o pequeno recorte de jornal. Mas há uma maneira de potencializar a beleza ali: querendo. Olhando novamente. Olhando com atenção. É bonito. E fica mais bonito cada vez que olhamos com mais atenção.


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Noite de Almirante, 1884


 

Mais aranha, mais aranha aqui nas fotos. Essa Salticidae gigante ficou brava com a minha atenção durante a sessão de fotos e olhou-me descontente expressando a sua desaprovação: “mamífero estúpido, pare de tirar fotos de mim!”.




                  Noite de Almirante (Histórias Sem Data, 1884)


Genoveva não errou, mas o Deolindo também não errou. E então? Então a simplicidade.


Foi bem antes de conhecer mais este conto clássico do Pai Machado de Assis. Foi quando pensava e pensava sobre o filme “Excalibur, A Espada do Poder” (Excalibur; Cherie Lunghi, Thomas Malory, 1981, John Boorman, Nigel Terry e etc). Eu gosto muito deste filme porque ele marcou a minha infância (os comerciais anunciando que ia passar o filme na televisão e a música do Carl Orff; explicando: eu só fui assistir mesmo o filme depois de adulto). Bom, uma das coisas que pensei foi sobre o significado de duas cenas com o cavaleiro da Távola Redonda Percival encontrando-se com Deus. Na primeira cena ele foge, mas no segundo encontro com Deus ele não sente medo. Uma diferença visível é a roupa dele. Quando foge Percival está usando a sua armadura; mas na segunda vez ele veste apenas uma ceroula (aquela cueca gigante, que mais parece uma calça de pijama). Ora, diante de Deus e sua onipotência obviamente o uso de uma armadura é inútil. Diante de Deus você não mente, você não pensa em usar um escudo para proteger-se; você tem que ser sincero, coração sincero, peito exposto, peito totalmente exposto. Para o que der e vier. Tem que ser simples.

Diante da Deusa ou de Deus ou dos Deuses ou de Atma… E também diante do Amor, do Desejo… Tem que ser simples. Você tem que ser simples.

Isso nos cura da possibilidade de chorar na cama pensando nos dois juntos? Isso nos cura dos vexames públicos motivados pelos ciúmes? Isso nos cura da vontade de escutar The Smiths e Raimundo Fagner o tempo todo? “A lógica sabe ser mais simples que a vida”, ensina meu amado Will Durant; mas qual é a alternativa? Vamos sofrer porque a Genoveva apaixonou-se pelo José Diogo? Sim, mas não muito. Mas não muito. Dê a caixa de presentes, dê um “adeus” e saia Deolindo. Mantenha o nível, a elegância, a classe; leitoras e leitores.


Vede que estamos aqui muito próximos da natureza. Que mal lhe fez ele? Que mal lhe fez esta pedra que caiu de cima? Qualquer mestre de física lhe explicaria a queda das pedras. Deolindo declarou, com um gesto de desespero, que queria matá-lo. Genoveva olhou para ele com desprezo, sorriu de leve e deu um muxoxo; e como ele lhe falasse de ingratidão e perjúrio, não pode disfarçar o pasmo. Que perjúrio? Que ingratidão? Já lhe tinha dito e repetia que quando jurou era verdade. Nossa Senhora, que ali estava, em cima da cômoda, sabia se era verdade ou não. Era assim que lhe pagava o que padeceu?

O conto “Noite de Almirante” é muito interessante. Tem um pouco de sociologia: gente humilde, casas humildes, religiosidade popular, a possibilidade de gente humilde de entrar na marinha a assim ganhar respeito e um futuro melhor… Assim como “Teoria do Medalhão”, ele é simples do ponto de vista lírico; mas rico do ponto de vista filosófico.


Antes de retirar-me, era o caso de confessar que estou escutando sem parar “A Saudade Mata a Gente” (João de Barro Braguinha e Antônio Almeida) na interpretação do sempre sofisticado Emílio Santiago? Talvez não. Só imagino, lá no Hades, o Machado de Assis e o Will Durant sorrindo para mim.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Cabelos Cabelos


 A mesma aranha da fotografia postada aqui ontem. Ah, e essa aranha não se chama “Claudio”. Fico publicando fotos para acompanhar textos e ambos nada tem em comum a não ser a autoria, então pode dar alguma confusão em quem me lê. Rio Acima, 2010.



MEU ARQUIVO DE MATERIAL JORNALÍSTICO: VEREDAS 4

Um pouco de história. Começou com o meu pai, professor de geografia e história. Ele costumava guardar recortes de jornais e revistas. Além disso ele e eu gravávamos vários programas de televisão em fitas VHS: filmes de arte por causa de suas histórias, filmes ruins por causa de seus efeitos especiais, vídeos engraçados do "Domingão do Faustão", reportagens, documentários como “Xingu primeira série” (1985) e "Holocausto A Saga da Família Weiss" (1979, mas a TV Manchete exibiu no Brasil mais tarde) e etc. Em 1998 o videocassete já estava estragado e as fitas abandonadas. Meu pai se afastou do magistério em meados de 2005, mas os recortes e revistas e jornais antigos foram abandonados muito muito antes. Mas minha memória fazia o antigo prazer de guardar pedaços da história humana ainda pulsar e, quando entrei na faculdade para estudar jornalismo; cismei que montar um arquivo de material jornalístico poderia ajudar-me a fazer o meu jornal.

Acabei juntando alguma coisa. Querem conhecer? Vamos lá.


6 - A pequena reportagem é sobre os supostos efeitos abortivos do mamão (Revista Veja, 23 de fevereiro de 1994).

A fotografia foi realizada pelo Edu Oliveira. A fotografia é bonita pela simplicidade e a modelo é bonita pela sua expressão doce e principalmente pelo seu cabelo que é crespo. Naturalmente ela finge saborear um pedaço de mamão, para combinar com a reportagem. Ela é branca, tem traços delicados em seu rosto e veste uma blusa com estampas floridas muito bonitas. Mas o seu cabelo crespo parecendo uma nuvem pintada de marrom e preto em pinceladas desordenadas; é realmente o "fator X" que torna tudo tão especial nesta fotografia realizada pelo Edu.



7 - "Ministério da Cultura, Museu Inimá de Paula e Santander apresentam NARRATIVAS POÉTICAS - Coleção Santander Brasil Museu Inimá de Paula 23 de outubro de 2013 a 26 de janeiro de 2014".

Este folheto é rico em textos e imagens. Cito algumas informações que achei mais interessantes. Nomes de alguns artistas plásticos para a gente procurar na internet: Fernanda Rappa, Renata de Bonis e Tuca Reinés. E no verbete “contemporâneo” aprendi que há diversos “modernismos” ao longo da história da arte e ali é mesmo tudo meio relativo e que “contemporâneo” nas artes é aquilo que nasce depois da Segunda Guerra Mundial (1945).


Mas o que torna este folheto especial para mim realmente é a pequena reprodução do óleo sobre tela "Figura" (1948), de Milton Dacosta. É uma tela linda linda que adoraria ter para mim e que posso ficar olhando por muito muito tempo!

Mais uma imagem bonita e mais uma vez vou treinar minhas “habilidades narrativas”. Coitado do Milton! Coitado de vocês!


Parece a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, mas é infinitamente mais bonita e enigmática. Ela é bem mais jovem, talvez mesmo seja uma estudante de algum colégio. Olhem esta tiara no cabelo e esta cadeira tão simples.


Depois de algum tempo, acho que descobri de onde vem os triângulos que sombreiam o rosto e o pescoço dela de maneira misteriosa. É que podemos ver atrás dela pequenos triângulos azuis-claros flutuantes sobre um fundo azul mais escuro. Mais escuro que este último azul é o azul do chão.


Falei em sombras misteriosas e vou me explicar. O seu nariz triangular e o seu vestido branco sem estampa, são sombreados de maneira equilibrada: a área escura é do mesmo tamanho que a área clareada. Mas mesmo aqui há mistério, pois a fonte de luz vem de sentidos opostos. Já a sombra do pescoço, além de não acompanhar a sombra do vestido parece maior e esta “derramada” de maneira inclinada. O rosto de nossa estudante é sombreado por um triângulo invertido. Enfim, sombras misteriosas.


Os traços faciais indicam cansaço, seriedade, tédio e tristeza. Por causa da aula que ela esta assistindo?; não quero esta hipótese. Ou ela sente isso por causa de sua vida ou por causa da vida de quem a observa? Não podemos perguntar para ela sobre estas dúvidas, pois os desenhos das orelhas são simples demais: ela não nos escutaria. O seu rosto esta inclinado e as duas linhas curtas e simples que formam suas sobrancelhas estão um pouco arqueadas, o que sugere movimento recente. Talvez o fim do julgamento a respeito do que ela deve fazer?


As sombras dos triângulos que cobrem o rosto e o pescoço quase se tocam e se isso acontecesse poderíamos ver a silhueta de uma ampulheta justamente na metade do seu tempo. Metade do tempo…


Acho que nossa estudante está em um momento decisivo e, - quando lembro que “cabelo é vida” (minha professora de literatura do colégio cujo nome esqueci) e o dela além da cor (marrom) e de ser muito grande destaca-se pelos contornos ondulares, - e não retos dos outros elementos da tela –, acredito que a decisão da estudante a fará destacar-se neste seu mundo de formas geométricas regulares demais.

(Gostei, mas não tanto assim de minha descrição. Descrever é difícil. De qualquer forma, a mensagem principal minha aqui é que o óleo sobre tela “Figura” (1948) de Milton Dacosta é uma tela linda; e que vocês devem procurar conhecer.)