A
mesma aranha da fotografia postada aqui ontem. Ah, e essa aranha não
se chama “Claudio”. Fico publicando fotos para acompanhar textos
e ambos nada tem em comum a não ser a autoria, então pode dar
alguma confusão em quem me lê. Rio Acima, 2010.
MEU
ARQUIVO DE MATERIAL JORNALÍSTICO: VEREDAS 4
– Um
pouco de história. Começou com o meu pai, professor de geografia e
história. Ele costumava guardar recortes de jornais e revistas. Além
disso ele e eu gravávamos vários programas de televisão em fitas
VHS: filmes de arte por causa de suas histórias, filmes ruins por
causa de seus efeitos especiais, vídeos engraçados do "Domingão
do Faustão", reportagens, documentários como “Xingu
primeira série” (1985) e "Holocausto A Saga da
Família Weiss" (1979, mas a TV Manchete exibiu no
Brasil mais tarde) e etc. Em 1998 o videocassete já estava estragado
e as fitas abandonadas. Meu pai se afastou do magistério em meados
de 2005, mas os recortes e revistas e jornais antigos foram
abandonados muito muito antes. Mas minha memória fazia o antigo
prazer de guardar pedaços da história humana ainda pulsar e, quando
entrei na faculdade para estudar jornalismo; cismei que montar um
arquivo de material jornalístico poderia ajudar-me a fazer o meu
jornal.
Acabei
juntando alguma coisa. Querem conhecer? Vamos lá.
6
- A pequena reportagem é sobre os supostos efeitos abortivos do
mamão (Revista Veja, 23 de fevereiro de 1994).
A
fotografia foi realizada pelo Edu Oliveira. A fotografia é
bonita pela simplicidade e a modelo é bonita pela sua expressão
doce e principalmente pelo seu cabelo que é crespo. Naturalmente ela
finge saborear um pedaço de mamão, para combinar com a reportagem.
Ela é branca, tem traços delicados em seu rosto e veste uma blusa
com estampas floridas muito bonitas. Mas o seu cabelo crespo
parecendo uma nuvem pintada de marrom e preto em pinceladas
desordenadas; é realmente o "fator X" que torna
tudo tão especial nesta fotografia realizada pelo Edu.
7
- "Ministério da Cultura, Museu Inimá de Paula e Santander
apresentam NARRATIVAS POÉTICAS - Coleção Santander Brasil Museu
Inimá de Paula 23 de outubro de 2013 a 26 de janeiro de 2014".
Este
folheto é rico em textos e imagens. Cito algumas informações que
achei mais interessantes. Nomes de alguns artistas plásticos para a
gente procurar na internet: Fernanda Rappa,
Renata de Bonis e
Tuca Reinés. E no verbete “contemporâneo” aprendi que há
diversos “modernismos” ao longo da história da arte e ali é
mesmo tudo meio relativo e que “contemporâneo” nas artes é
aquilo que nasce depois da Segunda Guerra Mundial (1945).
Mas
o que torna este folheto especial para mim realmente é a pequena
reprodução do óleo sobre tela "Figura" (1948),
de Milton Dacosta. É uma tela linda linda que adoraria ter
para mim e que posso ficar olhando por muito muito tempo!
Mais
uma imagem bonita e mais uma vez vou treinar minhas “habilidades
narrativas”. Coitado do Milton! Coitado de vocês!
Parece
a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, mas é
infinitamente mais bonita e enigmática. Ela é bem mais jovem,
talvez mesmo seja uma estudante de algum colégio. Olhem esta tiara
no cabelo e esta cadeira tão simples.
Depois
de algum tempo, acho que descobri de onde vem os triângulos que
sombreiam o rosto e o pescoço dela de maneira misteriosa. É que
podemos ver atrás dela pequenos triângulos azuis-claros flutuantes
sobre um fundo azul mais escuro. Mais escuro que este último azul é
o azul do chão.
Falei
em sombras misteriosas e vou me explicar. O seu nariz triangular e o
seu vestido branco sem estampa, são sombreados de maneira
equilibrada: a área escura é do mesmo tamanho que a área clareada.
Mas mesmo aqui há mistério, pois a fonte de luz vem de sentidos
opostos. Já a sombra do pescoço, além de não acompanhar a sombra
do vestido parece maior e esta “derramada” de maneira inclinada.
O rosto de nossa estudante é sombreado por um triângulo invertido.
Enfim, sombras misteriosas.
Os
traços faciais indicam cansaço, seriedade, tédio e tristeza. Por
causa da aula que ela esta assistindo?; não quero esta hipótese. Ou
ela sente isso por causa de sua vida ou por causa da vida de quem a
observa? Não podemos perguntar para ela sobre estas dúvidas, pois
os desenhos das orelhas são simples demais: ela não nos escutaria.
O seu rosto esta inclinado e as duas linhas curtas e simples que
formam suas sobrancelhas estão um pouco arqueadas, o que sugere
movimento recente. Talvez o fim do julgamento a respeito do que ela
deve fazer?
As
sombras dos triângulos que cobrem o rosto e o pescoço quase se
tocam e se isso acontecesse poderíamos ver a silhueta de uma
ampulheta justamente na metade do seu tempo. Metade do tempo…
Acho
que nossa estudante está em um momento decisivo e, - quando lembro
que “cabelo é vida” (minha professora de literatura do
colégio cujo nome esqueci) e o dela além da cor (marrom) e de ser
muito grande destaca-se pelos contornos ondulares, - e não retos dos
outros elementos da tela –, acredito que a decisão da estudante a
fará destacar-se neste seu mundo de formas geométricas regulares
demais.
(Gostei,
mas não tanto assim de minha descrição. Descrever é difícil. De
qualquer forma, a mensagem principal minha aqui é que o óleo sobre
tela “Figura” (1948) de Milton Dacosta é
uma tela linda; e que vocês devem procurar conhecer.)