sexta-feira, 16 de julho de 2021

Imprevisto Bonito

IMPREVISTO BONITO
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Abrir dos peitos - cometer um ato de generosidade imprevista."
Bonito, bonito. Aqui começamos a segunda parte do livro “Adagiário Brasileiro”, onde Moacir e o Orlando nos mostram adágios recolhidos em diversos livros do nosso amado Leota. Assim como na primeira parte selecionei os adágios que considerei melhores. Espero que gostem da minha seleção e que isso tudo ajude a colocar o nome do estudioso da cultura popular brasileira Leonardo Mota em circulação.

E você, leitora e leitor, quando “abriste dos peito – cometeste um ato de generosidade imprevista”? De minha parte não lembro, mas como sou bastante espontâneo e nem tão egoísta assim, deve ter sido a pouco tempo. Doar-se é importante, abrir-se é importante. Mas porque se ama e se é forte. Ser generoso quando a gente não ama e se sente fraco, pode ser narcisismo e manipulação.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Viúvas ao Ataque!

VIÚVAS AO ATAQUE!
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Viúva rica com um olho chora e com o outro repica."
Uai, significa então que as viúvas pobres não podem namorar? Adágio popular também tem venenos. Essa coisa de viúva lembrou-me um adágio que minha mãe as vezes falava comigo: “Sol com chuva é casamento da viúva”. Aqui o adágio não tem veneno, ou não muito (a “desarmonia” entre ter chuva mesmo com o sol brilhando e a viúva novamente se casando). Enfim, enfim, é bom e recomendado Amar muitas vezes. Amar sempre. Será que eu vou ainda viver um grande Amor?

terça-feira, 13 de julho de 2021

E todos por um

E TODOS POR UM
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Uma injustiça feita a um é uma ameaça feita a todos."
Belíssimo, belíssimo! O que está em questão aqui é a coletividade, o espírito público, a própria vida em sociedade. “Olha, pessoa, se todo mundo começar a agir como você; a sua família, o seu bairro, a sua cidade, o seu país, o mundo e você vão igualmente sofrer...”. O futuro da humanidade e pessoas que quando estão conduzindo automóveis não acendem os faróis que indicam que o carro irá para a esquerda ou direita. A pequena atitude, a grande atitude, uma pessoa humilde e o banqueiro sentados em um fórum à espera da justiça; tudo tudo ligado, uma forma poderosa de igualdade.


Uma notinha sobre guerra de propaganda. Os 90 anos do ex-presidente FFHHCC foram comemorados com salgadinhos e sorvetes pela grande imprensa brasileira. Pelo que testemunhei pela televisão. Rede de televisão que gosta e a que não gosta do Governo Bolsonaro, igualmente. Não devia, mas acho que é possível generalizar sim: o ex-presidente FFHHCC é uma das grandes unanimidades da imprensa brasileira, queridinho mesmo. Igual o juiz Moro nos seus bons tempos e o técnico de vôlei Bernadinho. Não sei se alguém se lembra, faz mais ou menos quatro anos isso, mas quando FFHHCC teve que prestar esclarecimentos às autoridades pela sua vida pessoal caliente em complicada harmonia com as necessidades econômicas do Governo Federal, a cobertura da imprensa foi de uma discrição impressionante. Se fosse o ex-presidente Lula teríamos repórteres na porta esperando ele antes e depois dele prestar esclarecimentos no dia. Comentaristas comentando durante mais de uma semana. E eu nem lembro como aquela história terminou. Enfim, onde a gente estava? Ah, os 90 anos do FFHHCC! Na entrevista sobre os seus 90 anos, feita numa “live” (quando é direta por computador), pelo “Jornal Nacional”, da Rede Globo de Televisão, havia duas câmeras no lado do FFHHCC. Havia a câmera frontal focalizando o rosto, como é de praxe, mas também, para dar dinamismo e não cansar os telespectadores por causa da entrevista longa (“longo” numa reportagem de televisão ou rádio é um material jornalístico de mais de três minutos), uma outra câmera que mostrava as costas e a cadeira onde o ex-presidente estava sentado.
Essas minhas notinhas sobre guerra de propaganda podem parecer bobas, mas acho que elas tem alguma dimensão educativa. Sei lá, acho que podem ajudar quem me lê ficar mais prevenido. Tem tanta informação vindo de todos os lados, tantas coisas nas entrelinhas; é bom ter alguma coisa de peneira. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Complicação é natural?

COMPLICAÇÃO É NATURAL?
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Telegrama e trilho de ferro foi quem trouxe a carestia.
(O progresso encareceu a vida.)"
Antigo este adágio, héin? Eu devia ter escrito uma introdução para esclarecer quem foi o folclorista Leonardo Mota, de como os originais de “Adagiário Brasileiro” perderam-se e os filhos Moacir Mota e Orlando Mota amorosamente e heroicamente refizeram tudo, eu devia comentar sobre o prefácio erudito do Paulo Rónai; tudo isso antes de comentar os adágios que eu selecionei como os meus favoritos. Eu devia, mas não quis fazer isso.
O adágio em questão é antigo, mas a sua mensagem é bem próxima de nós: em 2021 vivemos melhor do que 1989, 1945, 1914, 1860, 1789, 1500…? O termo que empreguei, - “melhor” -, é bem manhoso, claro para a leitora e o leitor que, com certeza, lembraram da higiene, da invenção da anestesia, da rede mundial de computadores, da expectativa de vida… Mas quais, então, seriam os critérios? “Felicidade” pode ser, ao mesmo tempo, tão impreciso quanto preciso. Ou, outro exemplo, a questão do “tempo para nós mesmos”; o trabalho se misturando ao telefone móvel e com isso o conceito de “férias” muda. Ou a existência de autoras e autores, palestras que falam sobre ócio e isso tudo sinal de que trabalho-ócio-família agora tem um equilíbrio diferente. Se bobear, não sou especialista no assunto, mas essa coisa de “casa de repouso”, “spa”, um hotel “longe de tudo” e coisas do tipo, já deviam ser razoavelmente comuns em meados do século XIX; bem antes das cidades cidaaaaades nascerem. Sem mencionar os profetas antes de Cristo reclamando que as pessoas esqueceram que a simplicidade é a grande riqueza.
A história não é uma ciência, mas mesmo que aceitemos como “natural” que telegrama, trilho de ferro e outros “parentes tecnológicos” sempre vindo e vindo para o nosso cotidiano em constante mutação; não podemos correr o risco de deixar escapar por entre os dedos aquilo que é importante para nós.