domingo, 22 de agosto de 2021

Três Famílias

TRÊS FAMÍLIAS
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Dizem que três mães boas dão à luz três filhas más: - da verdade, o ódio; da muita conversação, o desprezo; da paz a ociosidade."
Pelo sorriso da Kalki Koechlin!, eis um adágio popular que vai agradar, na forma e conteúdo, até o acadêmico mais arrogante e esnobe! Magnífico! Nem sei o que comentar para enriquecer o entendimento deste ensinamento. Chamar, talvez, a atenção para a sua segunda parte. A parte da “conversação”. Vale a pena pensar nesta segunda parte com atenção.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Pouca pimenta, muito muro

POUCA PIMENTA, MUITO MURO
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"O ciúme com a pimenta
Pode bem se comparar:
Pouquinho, o sabor aumenta,
Muito, queima e faz chorar.
Afonso Celso (trad.)"
Versos do poeta Afonso Celso traduzindo em versos um adágio popular. Uma coisa curiosa, conta Leonardo Mota, é que houve tempo em que os adágios eram registrados em muros para que todo o povo os conhecesse. Ainda citando o Leota, parece que em algum diálogo o Platão diz que por este motivo quem estivesse a caminho de Ática e lesse os ensinamentos nos muros pelo caminho teria para si um curso profundo de moral. Muito chique isso por parte dos gregos antigos! Convidemos amigos, peguemos mochilas e a Lua e o Sol e as estrelas como protetores e vamos todos para Ática.

18 de agosto de 2021. A imprensa brasileira já esqueceu do Haiti, a tragédia do Afeganistão é mais “interessante”. Se a imprensa brasileira não conhece o Brasil, quanto mais a América central, espanhola, etc. Aliás, mais do que o Afeganistão, a tragédia do Haiti é mais vergonhosa para a comunidade internacional. No Afeganistão há muitos interesses envolvidos: grupos armados, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, China, Rússia, Arábia Saudita e talvez até o povo afegão em determinado momento seja lembrado por alguém a opinar a respeito do seu próprio destino. Mas no Haiti a situação não é complexa: é um povo precisando de comida. Duas décadas neste novo século e milênio e o mundo continua o mesmo. Dito isso, realmente a situação do Afeganistão é um dos momentos mais constrangedores para os Estados Unidos em toda a sua história. 

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Charminho de solteirão

CHARMINHO DO SOLTEIRÃO
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Minha mãe, case-me logo,
Enquanto sou rapariga,
Que o milho plantado tarde,
Não dá palha, nem espiga."
Pelo sorriso da Kalki Koechlin!; mas isso é maravilhoso e maravilhoso!; pelo sorriso da Kalki Koechlin!; mas isso me dá vontade de mais uma vez sonhar em viajar pelo meu Brasil na companhia de um Leonardo Mota, um Gilberto Freyre, um Luís da Câmara Cascudo… Mas será que o Brasil deles ainda existe?… Ah, isso gera-me angústia…
Olhem estes versos populares. Não é engraçado e um pouquinho verdadeiro? Não é coisa de outro mundo, outro tempo e mesmo assim não é um pouco próximo de você? Eu com os meus 38 anos nem penso-me em casar-me. E não estou fazendo aqui charminho barato.

domingo, 15 de agosto de 2021

Henri contra os trolls

HENRI CONTRA OS TROLLS
Adagiário Brasileiro”, de Leonardo Mota, 1979; com a ajuda dos filhos Moacir Mota e Orlando Mota.

(Editora Itatiaia, Editora da Universidade de São Paulo, 1987, Segunda série da coleção “Reconquista do Brasil”. Volume 115. Capa do artista plástico Poty, ilustrações internas do artista plástico Aldemir Martins e prefácio de Paulo Rónai.)


"Antes calar que com doidos altercar."
Isso parece ser razoável, mas temos alguns diabinhos morando nos detalhes. Naturalmente que é verdade que em algumas discussões é mesmo melhor retirar-se por causa do veneno, por causa da toxidade; mas também é verdade que deixar as almas sebosas falando sem contestação pode gerar epidemia de almas sebosas. Politicamente falando isso não termina bem, principalmente em um país com o civismo tão precário como o Brasil e que possui ainda uma educação formal tão problemática. Ideias medonhas deixadas sozinhas podem crescer. 
Não alimente os trolls”, era um lema comum na internet brasileira de meados de 2002, 2004, eu lembro. O cara gastava tempo e energia para responder o sem noção que não queria resposta inteligente e sim exclusivamente alguma atenção. O tempo é escasso e saber dividir contestação e mensagem propositiva muitas vezes é complicado. 
Citei o meu amado Will Durant há alguns dias e vou citá-lo novamente. O livro é o mesmo, História da Filosofia; o meu Will esta comentando aquele que tanto ele quanto Bryan Magee (outro amado meu) considera o mais importante filósofo francês do século XX: Henri Bergson (outro amado meu que gostava do Henri era o escritor Henry Miller). Mas vamos logo para a citação. Ela é grande mas não dirijo-me à leitoras e leitores displicentes:
“Creio”, diz Bergson, “que o tempo dedicado à refutação, na filosofia, em geral é um tempo perdido. Dos muitos ataques dirigidos por muitos pensadores, uns contra os outros, o que resta agora? Nada, ou com certeza muito pouco. O que conta e permanece é o pouco de verdade positiva com que cada qual contribui. A afirmação verdadeira é, por si só, capaz de afastar a ideia errônea e se torna, sem que tenhamos tido o trabalho de refutar qualquer pessoa, a melhor das refutações.” Esta é a voz da Sabedoria em pessoa.”
O tempo é escasso e saber dividir busca pela verdade, pelas soluções, pela luz, pelas propostas e a resposta às contestações justas e outras tolas; pode ser bem complicado.
Preciso lembrar-me de ler o Henri Bergson.