sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Solidão Original

 

Solidão Original

 

Acabei de descobrir que, como membro do clube dos humanos, eu estou também condenado à solidão e à originalidade. Isso porque tinha que ser assim ou não. Ou porque as Moiras estão confusas. Ou não. Mas também estamos condenados à originalidade e à solidão porque a Alice tem um espelho secreto escondido em um pequeno bolso de seu vestido. É, essa Alice. Viveu as suas aventuras dentro dos livros e na volta nos conta esta importante informação sob a nossa condição humana. Mas que coisa! E tantas palavras entraram por um ouvido e saíram por outro ouvido, tantas palavras. Mas só Alice se parece com Alice. Assim como a gente só parece com a gente. Então entenderam não é? Só você se parece com você dentro de você. Estamos condenados à solidão e à originalidade. Bom, eu acho que expliquei direitinho.

 

Aprendendo com os poemas do Paulo Leminski.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Eu trago a pessoa amada

 

Eu trago a pessoa amada

 

O Amor, a gente sabe, é o mais importante. Na prática não é assim, mas isso é aquela velha história que nos conta Câmara Cascudo quando este nos lembra que o humano “venera o medo”. Então vamos para uma fórmula para ser amado. Mas isso aqui não é um anúncio pregado em um poste no meio da rua suja de um bairro sujo de uma cidade que se encolheu porque não ama mais a toda si mesma. Héin? É pior. Pior que aqueles anúncios populares “Trago a pessoa amada”. Saudade dessas propagandas. Preciso voltar a andar distraído pelo centro de BelZonte (Belo Horizonte).

Mas onde eu estava?

Aves pousando em ramos. O que são ramos? Aves pousando em galhos e galhos. Aves pousando em subdivisões de uma área de conhecimento ou de uma atividade, por exemplo. Pedacinhos de caminho. Aves pousando e pousando em pedacinhos de caminhos e caminhos. E eu rimando, rimando, mas rima é ritmo. Então eu estou é dançando e dançando embora nem sempre seja a música normal a música que esteja tocando. Maria Bethânia ou Engenheiros do Hawaii. Eu danço, danço. Até que eu pise no pé da minha parceira de dança ou eu simplesmente escorrego e bato de bunda no chão!

Aí eu sei que estou sendo amado.

Anotaram a receita? Agora vão lá ser amados.

 

Aprendendo com os poemas do Paulo Leminski.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Sacrifício e Sinceridade


Sacrifício e Sinceridade

Henry David Thoreau em Walden nos lembra que a nossa vida é totalmente moral, com o vício e a virtude brigando entre si dentro de nós 24 horas. Precisamos ficar atentos e também precisamos saber que ter um sistema de valores saudável é importante. Escrevo tudo isso por causa do vídeo acima, a resposta negativa do Grupo Bandeirantes de Comunicação à iniciativa do Governo Lula de pretender tributar mais os mais ricos. Os ricos brasileiros vão mandar o dinheiro para o estrangeiro e mais uma vez a classe média e os pobres do Brasil vão sofrer, assegura a Bandeirantes.

É mesmo? Ricos brasileiros são assim chamados porque são brasileiros morando aqui, eles vão continuar vendo miséria nas ruas e na televisão brasileira independente da quantidade de dinheiro investido por eles no estrangeiro. Não querem se sacrificar para ajudar o Brasil a ser um país mais justo? Não querem o conforto de viver em um país em paz, dado que sem justiça não há paz?

Elite egoísta tem em qualquer país, Estados Unidos e Coréia do Norte, Israel e Irã; a questão brasileira é mais dolorosa porque aqui a desigualdade social é mais extrema. A escravidão e sua herança, o maior de todos os problemas brasileiros em sua história, envenenou o conceito nosso de cidadania. Você é escravo? Não? Então você é livre, livre, livre, livre demais, livre até de ajudar os outros. Note que isso vale para pobres e ricos, dado que quando escrevi sobre cidadania era cidadania no sentido amplo do termo. Coesão social zero mesmo por aqui no Brasil. Embora aqui, no momento, o maior puxão de orelhas seja para os ricos brasileiros. E este mesmo Jornal da Band que fez uma série de reportagens intitulada Band nos 200 Anos da Independência no ano passado.


terça-feira, 29 de agosto de 2023

Faustão e o Historicismo?

 

Faustão e o Historicismo?

 

Não me sinto seguro para dizer o que seja o historicismo para Karl Popper, mas suspeito que seja pedir mais do que a Professora História pode dar-nos. Cícero está certo, a história é mesmo uma professora importante; mas não podemos pedir a ela o que ela não pode nos dar. As suas lições tem limites.

“A suspeita é que ele é um homem rico e influente e ademais estamos no Brasil e a história do Brasil é outra evidência”. Não é bem assim. É compreensível, mas também preconceituoso essa desconfiança por ele ser rico; mas pior ainda epistemologicamente falando é usar a “história do Brasil” como prova. A história do Brasil prova nada. A história do Brasil prova nada porque a história do Brasil não é a mesma para um militante do Movimento dos Sem Terra e para um latifundiário; para um banqueiro que mora em São Paulo e para um pescador do Acre. É miserável procurar linhas objetivas nos caminhos da história porque isso pode fechar os caminhos que podemos trilhar no futuro.

Era isso, Popper?

Agora tenho que parar de só ler trechos de A Sociedade Aberta e Seus Inimigos e ler o livro todo. Ademais sobre o historicismo Popper escreveu A Miséria do Historicismo e este livro eu nem comprei ainda.

Posso não saber o que é historicismo, mas sei que o trem é sinistro e se vocês leitores virem o historicismo sugiro que vocês mantenham distância dele. Atravessem a rua e não retornem as ligações! Mas sei bem que a tentação é grande. A gente gosta de ouvir histórias de todo tipo e de saber o que as mesmas querem nos ensinar. E gostamos de tentar prever o futuro. Mas isso é perigoso. No mais fica a civilidade tão necessária neste mundo violento e injusto: desejo boa saúde a todos os brasileiros.