quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Quem Fotografou o Celso?


 

Uma aranha bonita. Repare na transparência de seu corpo. Desde então não mais vi uma aranha semelhante a essa por aqui. Rio Acima, 2010.


MEU ARQUIVO DE MATERIAL JORNALÍSTICO: VEREDAS 3

Um pouco de história. Começou com o meu pai, professor de geografia e história. Ele costumava guardar recortes de jornais e revistas. Além disso ele e eu gravávamos vários programas de televisão em fitas VHS: filmes de arte por causa de suas histórias, filmes ruins por causa de seus efeitos especiais, vídeos engraçados do "Domingão do Faustão", reportagens, documentários como “Xingu primeira série” (1985) e "Holocausto A Saga da Família Weiss" (1979, mas a TV Manchete passou mais tarde) e etc. Em 1998 o videocassete já estava estragado e as fitas abandonadas. Meu pai se afastou do magistério em meados de 2005, mas os recortes e revistas e jornais antigos foram abandonados muito muito antes. Mas minha memória fazia o antigo prazer de guardar pedaços da história humana ainda pulsar e, quando entrei na faculdade para estudar jornalismo; cismei que montar um arquivo de material jornalístico poderia ajudar-me a fazer o meu jornal.

Acabei juntando alguma coisa. Querem conhecer? Vamos lá.


4 - É triste e comum no mundo da fotografia. Vejam só: é uma das fotografias mais lindas que tenho em meu arquivo e eu não sei quem a realizou! Eu sou um fotógrafo bem marmota, mas pergunte a qualquer fotógrafa ou fotógrafo profissional o que eles acham quando publicam uma foto e nos créditos o pessoal coloca “divulgação” em vez do nome. Ah, o pessoal da fotografia fica furioso! Isso eu garanto! Uma vez visitando o Sindicato dos Jornalistas, lá em Belo Horizonte, um fotógrafo me falou isso. E ele estava sério, muito sério. Explicada a lição, vamos à foto.

Ela mostra o artista Celso Viáfora descendo uma escada acompanhado de crianças de alguma escola de balé. Sei disso por causa das roupas dos pequenos. O próprio Celso deve ser um dançarino. Escrevo isso por causa do modo como Celso posicionou as suas pernas ao posar para a fotografia. Os seus pés estão cruzados de uma maneira que apenas um dançarino seria capaz de movimentar-se; principalmente em uma escada de concreto tão duro. Ele parece parado enquanto as crianças estão em movimento, uma combinação que torna rica a composição e é mais uma virtude desta fotografia realmente realmente bela.


5 - Uma fotografia do escritor Luiz Vilela realizada por Jair Amaral.

Acho esta fotografia bonita e a recortei e guardei por causa da expressão do Luiz, a sua “pose” de escritor, os livros ao fundo e… os seus óculos grandes e de lentes amarelas! Algum dia eu serei tão extrovertido e moderno a ponto de comprar um óculos de lentes grandes e amarelas?


Atualização do Dia 25 de Fevereiro de 2021

Pesquisando na internet, descubro que o Celso Viáfora é, na verdade, um cantor e compositor; e não, como eu pensei, um dançarino. Mas antes das canções dele vou procurar a fotografia que recortei do jornal; pois ela é linda demais e é óbvio que alguém a deve ter colocado on line.

Não colocaram! Só eu achei a foto bonita? Quer saber? Vou colocar a conta em nome do preconceito que sofre Minas Gerais, só pode. O Brasil não conhece Minas! Os trem acontece aqui e ninguém fica sabendo!

Pronto, feito o protesto vamos às música. Celso Viáfora tem uma longa carreira como cantor e compositor, mas só nos últimos anos os seus discos apareceram e suas composições começaram a receber a atenção devida. Isso é muito comum. Lembro de uma frase de um artista estadunidense cujo o nome me escapa. Era mais ou menos assim: “Eu levei trinta anos para fazer sucesso do dia para a noite”. O mundo das artes pode ser cruel. Celso Viáfora tem um canal no site YouTube e uma das coisas que me chamaram a atenção ali imediatamente é o Celso junto com ator Ailton Graça interpretando um trecho de um romance escrito pelo… Celso! Então é isso. Acho que você e eu já temos o suficiente: escutar o Celso e ler o Luiz, ler o Celso e ler o Luiz, e dizer sempre o nome de quem fotografa. Na dúvida “fotógrafo (a) desconhecido/Agência Fulano de Tal”.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Não Minta Para Ela


 

Ainda sobre a enchente de 2009 no Conjunto João Paulo II, Barreiro. Esta fotografia, no dia seguinte à tempestade da noite e madrugada, mostra um detalhe do muro que cerca o condomínio de apartamentos populares. Segundo ouvi de moradores, se o muro não tivesse caído, com caiu em vários pontos, a água dentro do condomínio teria subido muito muito mais do que subiu. E mais, vale o registro aqui de uma vizinha de minha vó materrna e que lembro bem: “Deus do céu! A água entrou na portaria! Ela nunca tinha entrado antes até aqui!”.


MEU ARQUIVO DE MATERIAL JORNALÍSTICO: VEREDAS 2

- Um pouco de história. Começou com o meu pai, professor de geografia e história. Ele costumava guardar recortes de jornais e revistas. Além disso ele e eu gravávamos vários programas de televisão em fitas VHS: filmes de arte por causa de suas histórias, filmes ruins por causa de seus efeitos especiais, vídeos engraçados do "Domingão do Faustão", reportagens, documentários como “Xingu primeira série” (1985) e "Holocausto A Saga da Família Weiss" (1979, mas a TV Manchete passou mais tarde) e etc. Em 1998 o videocassete já estava estragado e as fitas abandonadas. Meu pai se afastou do magistério em meados de 2005, mas os recortes e revistas e jornais antigos foram abandonados muito muito antes. Mas minha memória fazia o antigo prazer de guardar pedaços da história humana ainda pulsar e, quando entrei na faculdade para estudar jornalismo; cismei que montar um arquivo de material jornalístico poderia ajudar-me a fazer o meu jornal.

Acabei juntando alguma coisa. Querem conhecer? Vamos lá.


2 - "Filhos do Divórcio" (Revista Veja, edição de 17 de março de 1999).

Não recortei a reportagem toda, apenas uma página por causa de uma fotografia de família onde vemos uma jovem segurando pratos de porcelana. Ela é linda demais. Vamos lá Aldrin, banque o escritor!

Ela é jovem, entre 25 e 22 anos é o meu palpite. Branca, de uma pele tão dourada quanto o seu cabelo curto encaracolado. Esses caracóis dos cabelos ficam mais claros nas extremidades dos fios. Os olhos azuis são espertos, então não adianta mentir para ela. O seu narizinho é fininho, assim como os lábios que formam um sorriso que não é tímido. Ela está usando jeans e uma camiseta de crochê colorida. A camiseta de crochê é toda listrada, quase um arco-íris deitado. Linda, linda demais! E ainda pergunto-me porque na hora da família toda posar para a foto, ela quis segurar aqueles dois pratos de porcelana com desenhos em azul-escuro.


3 - Luiz Lyrio por Jaques Franco

É uma fotografia mostrando o escritor Luiz Lyrio lendo o que parece ser uma revista chamada "Estalo,". Isso mesmo, pelo que vi na fotografia a vírgula faz parte do nome da revista. É a única fotografia que eu tenho que mostra o Luiz Lyrio. Eu gosto do Luiz desde que li um livro dele de memórias, quando eu estava na faculdade. Foi por causa disso que recortei a foto. Nem lembro o nome de quem me emprestou e nem o nome do livro que li durante meus estudos sobre jornalismo. Sem internet agora, não sei mais detalhes do Luiz e da revista que tem uma vírgula no nome. A fotografia foi realizada pelo Jaques Franco. Não sei a data e nem de onde fiz o recorte.


Nota do dia 24 de fevereiro de 2021

Agora com internet, mas com algumas limitações. Rs rs Uma pesquisa rápida pela internet descobri mais coisas sobre o Luiz Lyrio. Fundador da revista “Estalo” (é sem vírgula no título), escreveu “Nos Idos de 68” (provavelmente o livro que li durante a faculdade), e escreveu outros livros; foi bastante premiado e homenageado. Bastante mesmo. Nossa. E ele tinha um carinho especial pelos grêmios estudantis, escrevendo e realizando diversas palestras a respeito em diversos lugares.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Teoria do Medalhão, 1882


Foi chocante e assustador; mas também foi “jornalístico”. No apartamento de minha avó materna, testemunhei uma enchente forte que atingiu aquele conjunto habitacional e realizei algumas fotografias. Conjunto João Paulo II, Barreiro, 2009. No dia seguinte toda a água da noite e madrugada já tinha ido embora, o que por si só é um fenômeno a mais que impressiona. Assim como a destruição que essa mesma água deixou. Marcou-me particularmente o drama de uma floricultura da região, atingida duas vezes pelas enchentes e que ainda foi roubada pelas pessoas insensíveis ao drama dos donos dessa floricultura.


Teoria do Medalhão (Papéis Avulsos, 1882)


Você sabe quem é você? Difícil, mas se você não sabe, é bom aprender a mergulhar no mar. Pois se você não conquista a glória imortal sendo você neste mundo, você pode alcançar a glória imortal sendo ninguém. Uma gota de água se parece com outra gota de água ali, mas, pelo menos, o mar sempre vai estar ali.


Já na década de 1880 o que viria a ser conhecido como “sociedade de massas” já mostrava os dentes e garras aos espíritos mais perspicazes da época. Como o nosso Pai Machado de Assis neste conto “Teoria do Medalhão”. Falei em “mar”, mas podemos usar, - com o perdão ao Hesse e ao seu “Sidarta” -, a imagem do “rio”. Se deixar levar pelo rio das massas anônimas em seu mundo de luzes fortes e efêmeras e dos óleos das máquinas que nunca dormem; sem a responsabilidade pesada de ser originalmente humano.

Conversar sobre a participante mais nervosa de um programa de televisão, sobre um deputado corrupto, a descoberta científica da semana; tudo histórico e tudo cabendo em um jornal de ontem amassado no lixo… Tudo vindo, tudo indo… Pegue uma boia para não se afogar e seja um medalhão. Ou o trecho sobre o trem de passageiros de “O Pequeno Príncipe”, de Exupéry. Mas talvez o parente mais próximo, por ser brasileiro inclusive, do conto “Teoria do Medalhão”, seja o conto “O Homem Que Sabia Javanês”; do Lima Barreto. Palavras pomposas e vazias, fingir entender concordar a respeito da última moda intelectual vinda de Paris ou Nova York ou do Rio de Janeiro…

Quando as grandes metrópoles nasceram o humano ficou menor. E hoje? Não vou falar das supercidades, mas da rede mundial de computadores. Na internet todo mundo fala, todo mundo de expõe; e quem se comunica? Parece ser apenas barulho e barulho.


Tu poupas aos teus semelhantes todo esse imenso aranzel, tu dizes simplesmente: Antes das leis, reformemos os costumes! - E esta frase sintética, transparente, límpida, tirada ao pecúlio comum, resolve mais depressa o problema, entra pelos espíritos como um jorro súbito de sol.

Vejo por aí que vosmecê condena toda e qualquer aplicação de processos modernos.

Entendamo-nos. Condeno a aplicação, louvo a denominação.”

Sou um juiz suspeito aqui, pois achei a “Teoria do Medalhão” o conto mais fraco do ponto de vista lírico dos contos que já li do Pai Machado de Assis; mas provavelmente assim julguei porque estou com vergonha de ser muito mais velho que o Janjão e estar tão tão tão longe da independência de um adulto.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Primeiro Xingu, 1985

 


Nossa, quando eu tirei esta foto eu me achei o super hiper super fotógrafo. Era 2009 e eu tinha descoberto a fotografia. Ainda não sou um fotógrafo profissional no sentido “constante” do termo, mas o desejo continua. Rio Acima, 2009.



MEU ARQUIVO DE MATERIAL JORNALÍSTICO: VEREDAS 1

- Um pouco de história. Começou com o meu pai, professor de geografia e história. Ele costumava guardar recortes de jornais e revistas. Além disso ele e eu gravávamos vários programas de televisão em fitas VHS: filmes de arte por causa de suas histórias, filmes ruins por causa de seus efeitos especiais, vídeos engraçados do "Domingão do Faustão", reportagens, documentários como “Xingu primeira série” (1985) e "Holocausto A Saga da Família Weiss" (1979, mas passou na TV Manchete mais tarde) e etc. Em 1998 o videocassete já estava estragado e as fitas abandonadas. Meu pai se afastou do magistério em meados de 2005, mas os recortes e revistas e jornais antigos foram abandonados muito muito antes. Mas minha memória fazia o antigo prazer de guardar pedaços da história humana ainda pulsar e, quando entrei na faculdade para estudar jornalismo; cismei que montar um arquivo de material jornalístico poderia ajudar-me a fazer o meu jornal.
Acabei juntando alguma coisa. Querem conhecer? Vamos lá.


1 - "A diplomacia dos glúteos"
(Revista Veja, edição de 28 de maio de 1997).
Uma nota da seção "Gente" sobre a primeira visita da Maria do Bairro (Thalia Ariadna) ao Brasil. Recortei por causa da foto em que ela aparece dançando no antigo "Programa Livre", de Serginho Groisman. Não pela Thalia "bancando a Carla Perez", mas por causa de uma jovem que aparece na fotografia também. Apenas podemos vez o seu rosto no canto, inclinando a cabeça e sorrindo desaprovando o gesto da atriz. Achei curioso. Curioso o contraste, entendem? A fotografia foi realizada pelo fotógrafo Carlos Manfredo. Novelas mexicanas, incluindo "Maria do Bairro", fizeram muito sucesso no Brasil em meados da década de 1990. Foi um dos fenômenos culturais centrais daquela década. Lembro que eu ficava nervoso e quase chorava quando não conseguia assistir a um dos episódios da primeira versão de "Carrossel". O Cirilo esperando em vão debaixo da chuva, em frente a casa de Maria Joaquina. Os filhos se parecendo fisicamente demais com os seus pais. Outra coisa era os telefones fixos, cujos os teclados eram na parte do aparelho onde se escuta e se fala e não na parte fixa sobre a mesa. Para ficar em três itens que ocorreram-me agora. Algum dia visitarei o México?